Exclusivo "Pus um chinês a dançar kizomba para brincar com a ideia do perigo amarelo"

Lido no seu país e em todos os da lusofonia, bem como naqueles em que está traduzido, o escritor João Melo regressa aos temas que a atualidade angolana oferece. Um manancial de histórias que autores de várias gerações aproveitam e que serão uma boa fonte para os historiadores.

O Dia em Que Charles Bossangwa Chegou à América é o título do mais recente volume de contos do escritor angolano João Melo. São sete histórias que fixam a história da realidade atual de Angola, quase todas escritas antes de ter integrado até há quatro meses o governo. Deixa essa nota bem expressa no livro, até porque considera estar agora "reformado da vida pública" e prefere antes acabar um romance que começou há quatro anos e que a política ativa interrompeu. Não se reformou da leitura das notícias, mas se são de política angolana opta por cumprir os preceitos éticos e não comentar. Pergunta-se-lhe como acompanha o caso Isabel do Santos e a resposta é muito breve: "Acompanho como escritor." Agrada-lhe mais falar de poesia, de que é "leitor contumaz".

Este livro tem um título enganador. Faz parte do espírito destes contos e da vontade de obrigar a fazer leituras próprias dos contos?
Creio que sim, porque a literatura é uma atividade humana que envolve tanto os autores como os leitores. Acredito nisso, portanto os leitores têm a sua quota-parte de responsabilidade no que respeita às histórias. Têm de lê-las e cada um lê de acordo com o seu lugar de receção, mas também de acordo com as suas informações e a disponibilidade para descobrir coisas novas nos textos.

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