Alexandre, o Poço "de trabalho" que admira muito Passos Coelho

O novo líder da JSD é visto como um trabalhador incansável, muito polivalente e culto. O também deputado do PSD deixou a consultadoria para se dedicar à política, que o fascina desde a infância.

A "culpa" ou a virtude foi da mãe que o incentivou sempre a ver a catadupa de notícias à hora de jantar. De tal forma que se recorda, numa das idas ao supermercado, 6 anos, de ver a cara de António Guterres estampada na página do jornal e saber que era o primeiro-ministro que aparecia na televisão. Veio daí o bichinho da política que contaminou Alexandre Poço, o novo líder da Juventude Social-Democrata (JSD) e sobre o qual a antecessora e amiga, Margarida Balseiro Lopes, faz um trocadilho com o nome do também deputado do PSD para o caracterizar: "É um poço de trabalho."

Alexandre Poço, nascido em Oeiras há 28 anos , é mesmo o primeiro político da família, que diz de origens modestas. Perdeu o pai num acidente de automóvel aos 3 anos e foi criado com a mãe, com quem ainda vive, e dois irmãos, o David e a Débora. Estuda em Paço de Arcos nas escolas públicas onde segue a tradição de participar na vida associativa escolar.

"Um certo idealismo que podia mudar alguma coisa fez-me ter vontade de me inscrever num partido", afirma o líder da jota. Estava na adolescência e lia os programas do partido. É o do PSD, "por defender que se pode conjugar a ideia do esforço para subir na vida com a consciência social " que o cativa. Sá Carneiro como, é óbvio, foi fonte de inspiração. Sobretudo para o que a política deve servir. "Para que as pessoas se realizem e para que os filhos tenham igualdade de oportunidades e uma vida ainda melhor do que a dos pais", diz. "Não se pode viver completamente livre rodeados de pobreza."

Estava habituado a "esforço" e trabalho. "A minha mãe dizia "queres alguma coisa, estuda e trabalha"." O desporto, guarda-redes federado de futebol, primeiro de 7 e depois de 11, e praticante de caiaque, era sinónimo de boas notas. E ainda havia tempo para os escuteiros e a vida na igreja como acólito.

Eclético é a palavra certa para descrever o percurso escolar e académico de Alexandre Poço, o que se manteve para a vida. "É muito polivalente", diz Margarida Balseiro Lopes. Fez o secundário em Ciências e Tecnologias porque tinha "a ambição" de seguir Ciências Farmacêuticas. A média de 19 a Português nos exames de 12.º ano fizeram-no perceber que afinal a vocação era outra. Seguiu para Ciências da Comunicação na Universidade Nova, onde as suas ideias políticas não colhiam muito. "Era visto como um burguês ou fascista como todos que eram à direita do Bloco eram vistos", diz e ri. Segue para o mestrado em Gestão também na Nova, entre 2013 e 2015. Passa por um estágio no Banco Santander, mas é na consultora Pricewaterhousecoopers, onde esteve cinco anos, que faz carreira.

Alexandre deixa a consultadoria em 2019 depois de ter sido o último eleito pelo PSD nas listas de Lisboa. Já antes tinha sido líder da concelhia da JSD de Oeiras, líder da distrital da mesma estrutura em Lisboa e, em 2018, vice-presidente de Margarida Balseiro Lopes na jota.

O deputado social-democrata, que está em três comissões parlamentares - Educação, Orçamento e Finanças e Cultura -, admira entre vários políticos três que se destacaram - Margareth Thatcher, Bobby Kennedy e Pedro Passos Coelho. "Admiro muito Passo Coelho, o país deve-lhe muito pelo que fez num momento tão difícil."

De si como político a antecessora na JSD diz que "vai dar cartas" porque é "muito bem preparado, perspicaz, com instinto político, mas também diplomata capaz de agregar pessoas".

Margarida Balseiro Lopes destaca a "lealdade" constante do seu ex-vice-presidente "mesmo em momentos difíceis". "É das pessoas mais cultas e qualificadas com quem convivi na JSD", garante a deputada social-democrata. Com Alexandre, frisa, pode-se ir muito além da política nas discussões e nos temas, seja sobre livros, filmes, séries e artigos. O próprio admite que a Netflix e a HBO são os hobbies de sofá que ajudam a descomprimir.

Ao leme da JSD vai bater-se pelos "desafios da vida de cada jovem", da educação ao mercado de trabalho, à habitação e ao desemprego. Mas também vai tentar erguer bandeiras novas em três áreas: ambiente, cultura e saúde. "A JSD não aceita que existam temas com uma visão moralista e que a esquerda pareça dona desses temas." A agenda ambiental vai ser muito clara tal como a cultural, onde já tem ideias como a de um estatuto de artista-estudante e a realização de um census cultural para conhecer o setor. A saúde é outra aposta, tal como a modernização digital da JSD.

Foi um dos sete deputados que desafiou a autoridade de Rui rio e votou contra o fim dos debates quinzenais com o primeiro-ministro e a quem o líder do PSD quer agora pedir responsabilidades.

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