Zeinal Bava diz que "relação da PT com o BES e CGD era de confiança"

O antigo presidente executivo da Oi e da Portugal Telecom garantiu ainda, na comissão de inquérito ao BES, que não se recorda quem na PT decidiu investir 500 milhões em dívida da Espírito Santo Internacional.

O antigo presidente executivo da Oi e da Portugal Telecom (PT), Zeinal Bava, disse hoje não se lembrar de quem na PT decidiu investir 500 milhões de euros em dívida da Espírito Santo International (ESI).

"Não vou dizer que foi fulano, sicrano ou beltrano, não me recordo", disse Zeinal Bava na comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES), quando confrontado com o investimento da PT em maio de 2013 em 500 milhões de euros de dívida da ESI, do GES. "Não tenho memória desse tema específico", declarou o gestor.

A ocultação de dívida na ESI tem sido um dos temas centrais da comissão de inquérito e foi um dos elementos que contribuiu para a queda do GES e do BES.

Zeinal Bava disse ainda que a elevada concentração de aplicações financeiras da PT no GES se devia à participação acionista detida pelo BES na PT.

"Em 2000 estabelecemos uma parceria estratégica com o Banco Espírito Santo (BES) e com a Caixa Geral de Depósitos (CGD). Nesse contexto, em situação de igualdade, seria normal que as equipas financeiras dessem primazia aos parceiros", afirmou.

E realçou: "A relação da PT com o BES e a CGD era de confiança. O dinheiro investe-se nos bancos e a única decisão que havia [quando a PT recebeu o encaixe financeiro relativo à venda da sua posição na Vivo à espanhola Telefónica] era manter o dinheiro em instituições portuguesas ou no estrangeiro".

Segundo o responsável, enquanto a CGD manteve a sua posição acionista na PT (manteve uma participação qualificada até ao final de 2013), houve uma preocupação por parte da gestão da operadora em fazer aplicações quer no BES, quer no banco público.

"Enquanto tínhamos dois parceiros, as aplicações eram divididas 'salomonicamente' entre ambos", referiu. "Ou deixávamos o dinheiro no sistema financeiro português ou metíamos lá fora. Na altura foi uma decisão consensualizada no conselho. Se havia mais investimento num do que no outro banco, é porque um nos dava mais remuneração do que o outro", frisou.

Zeinal Bava escusou-se a esclarecer se alguma vez recebeu diretamente um pedido do BES ou de Ricardo Salgado para que a PT investisse em dívida do GES.

"Todos os investimentos nessas sociedades foram sempre honrados", salientou, referindo-se até à data da sua saída da liderança executiva da PT, em junho de 2013.

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