Venda de carros em vai valer menos mil milhões este ano

A compra de carros em Portugal vai cair mais de mil milhões de euros este ano, isto apesar de um forte incremento das campanhas promocionais por parte das marcas para atenuar a crise que afecta o sector.

O mercado de ligeiros de passageiros, segundo dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP), caiu 27,2 por cento entre janeiro e novembro deste ano, quando comparado com o mesmo período do ano passado, representando uma quebra de 53.151 carros novos. Tendo em atenção que o valor médio pago por um carro novo é de 18 mil euros, segundo dados da Fleetdata, os cerca de 53 mil carros novos que deixaram de ser vendidos entre 2010 e 2011 correspondem a uma quebra de receita de quase mil milhões de euros. O problema, segundo as marcas contactadas pela Lusa, é que, para 2012, a situação ainda vai piorar mais, não só por causa de um aumento de impostos sobre os veículos, mas também pela forte retração do consumo das famílias, evidenciado pelo índice de confiança das famílias e das empresas que bateu mínimos históricos em novembro, segundo o Eurostat.

Uma situação que terá também implicação direta na receita fiscal do Estado, uma vez que, segundo dados da execução orçamental de novembro, a quebra do Imposto Sobre Veículos (ISV) se situa nos 134,4 milhões de euros para os 549 milhões de euros, uma queda de 19,7 por cento relativamente ao mesmo período de 2010. Miguel Tomé, da Opel Portugal, diz que 2012 "será pior do que 2011 quando, há uns meses, isso parecia praticamente impossível", acrescentando que o setor "está profundamente sobrecarregado de impostos", com as vendas a ressentirem-se "e as receitas fiscais também", enquanto que Nuno Heleno, da Chevrolet, alinhando pela mesma opinião, indica que as vendas no próximo ano vão depender muito "das políticas de crédito a consumo da banca", acreditando que os clientes vão optar por "modelos do segmento abaixo do que escolheram nos anos transatos".

Já José Duarte, diretor geral da Volkswagen, diz que "o enquadramento para o próximo ano não é muito positivo", mas "os argumentos da Volkswagen permitem encarar 2012 com optimismo", até porque a marca alemã vai lançar um citadino a preços competitivos e "muito acessível", enquanto que a Toyota, através de António Costa, indica que "face à crescente turbulência internacional e à falta de capacidade de actuação eficaz por parte dos principais agentes políticos, há bastante indefinição e incerteza", perspectivando que, no próximo ano "o mercado automóvel quebre entre 20 e 30 por cento". Na mesma linha, a Renault, a Ford, a Nissan, o grupo Fiat, a BMW e a Peugeot consideram que haverá mais uma quebra de vendas em 2012. Jorge Magalhães, da Peugeot, estima que o mercado caia no próximo ano cerca de 15 por cento e "deverá ser o pior dos últimos 25 anos".

Os sul coreanos também estimam uma queda de mercado para 2012 por volta dos 20 por cento, mas a Kia, que acaba de lançar o Rio, acredita que vai crescer 35 por cento no segmento, enquanto que a Hyundai espera "manter a quota de mercado alcançada este ano, que será aproximadamente de 1,9 por cento", segundo Luís Camões. O responsável da Hyundai acredita que o retalho automóvel terá que se "reajustar que infelizmente tenderá manter-se por mais alguns anos, caso não haja nenhum tipo de incentivo por parte do Estado", como incentivo ao abate de carros mais velhos. A Associação Automóvel de Portugal (ACAP) tem também vindo a alertar para a dificuldade de acesso ao crédito, não porque não esteja disponível, mas sim porque "as taxas de juro implícitas nos contratos de crédito estão a subir desde meados de 2010", o que trava a aquisição de automóveis e tem "um impacto bastante negativo no mercado de particulares".

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