UGT diz que Passos "não dá esperança aos portugueses"

O secretário-geral da UGT, João Proença, afirmou hoje que o primeiro-ministro fez um discurso que "não dá esperança aos portugueses" e lamentou que não tenha defendido a "necessidade de renegociar o memorando" com a 'troika'".

Pedro Passos Coelho sustentou hoje, numa comunicação ao páis, que o "chumbo" de normas orçamentais pelo Tribunal Constitucional põe em risco a renegociação dos prazos da dívida e a próxima "tranche" do empréstimo a Portugal e que é imperativo evitar um segundo resgate, garantindo ainda que a solução será cortar na despesa pública, e não aumentar impostos.

Em declarações à agência Lusa, João Proença disse que o primeiro-ministro anunciou "medidas muito mais dolorosas para os portugueses", considerando que foi "um mau ponto de partida" Passos Coelho não ter assumido as responsabilidades, delegando-as ao Tribunal Constitucional, que chumbou quatro artigos do Orçamento do Estado para 2013.

"O primeiro-ministro fez um discurso que não dá esperança aos portugueses, não apontou políticas diferentes", acusou o líder da União Geral de Trabalhadores, apontando ainda uma "lacuna grave" à declaração de hoje de Passos Coelho.

"O primeiro-ministro não referiu a necessidade de renegociar o memorando de entendimento com a 'troika' e continua a não reconhecer as dificuldades do país. O primeiro-ministro devia também pedir a contribuição da 'troika'" (composta pelo Fundo Monetário Internacional, pela Comissão Europeia e pelo Banco Central Europeu), afirmou João Proença.

Interrogado sobre se o discurso do primeiro-ministro penaliza o debate em torno do aumento do salário mínimo, Proença disse que "é evidente que penaliza", porque Passos Coelho "não abriu o mínimo espaço para novas políticas".

No entanto, acrescentou o líder sindical, a UGT "continuará a bater-se pelo que considera importante e pelas medidas necessárias ao relançamento da economia".

"Esperamos que o primeiro-ministro não reaja de cabeça perdida como reagiu quando se lembrou de inventar a Taxa Social Única" (TSU), referiu ainda João Proença, que vai "aguardar pelas medidas concretas" que o Governo pretende apresentar para compensar as que o Tribunal Constitucional chumbou na sexta-feira.

O Tribunal Constitucional chumbou o corte do subsídio de férias para o setor público, pensionistas e contratos de docência e investigação, bem como a criação de uma taxa sobre o subsídio de doença e desemprego.

No total, estes cortes podem custar mais de 1.350 milhões de euros, de acordo com contas da agência Lusa.

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