UGT defende mudança na "linha de orientação" do governo

O secretário-geral da União Geral de Trabalhadores (UGT), João Proença, espera que o Governo mude "a linha de orientação" direcionada para a austeridade e que "comece a ser um defensor do crescimento e do emprego".

"Até aqui tivemos um Governo mais 'troikista' que a 'troika'. Esperamos que o Governo, neste momento, também já tenha mudado esta linha de orientação e comece a ser um defensor do crescimento e do emprego", referiu o líder da UGT, à saída de uma reunião com o secretário-geral do Partido Socialista (PS), em Lisboa.

Para Joao Proença, "é necessário que o Governo português bata o pé e defenda outras políticas".

Um exemplo apontado pelo dirigente sindical foi a meta de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para o défice este ano, que João Proença considerou que "não é credível".

O líder da UGT criticou ainda "o corte nacional de 800 milhões de euros", anunciado pelo Governo em outubro de 2012 e que o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, voltou a referir recentemente no Parlamento.

Além disso, defendeu, "é fundamental criar condições para que, em 2014," Portugal possa "regressar aos mercados", porque esta é "a maneira de [Portugal não precisar] de financiamento da 'troika'".

Interrogado sobre se defende que deve ser dado mais um ano para o ajustamento português, João Proença afirmou que "o problema não é mais um ano nem menos um ano", acrescentando que gostaria que "a 'troika' fosse embora em junho do ano que vem".

"Não queremos mais um ano de 'troika' cá, queremos é que seja reduzido o ritmo de ajustamento em termos de défice e o ritmo de pagamento da dívida e até os próprios juros da dívida", reiterou.

O líder da UGT lamentou que o discurso do Fundo Monetário Internacional (FMI) não seja integrado nas políticas da missão da 'troika' em Portugal.

"Há uma parte do discurso da 'troika', nomeadamente o FMI, que diz que a Europa hoje precisa de redefinir o cumprimento da meta dos 3% [do défice] e que só devia tender para os 3% lá para 2015 ou 2016. Mas depois [isso] não tem consequências em termos da 'troika' cá", explicou.

António José Seguro iniciou na segunda-feira uma ronda de reuniões com os parceiros sociais, no dia em que chegou a Portugal uma missão da 'troika' (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) para discutir com o Governo a sétima revisão do programa de assistência financeira.

Além da UGT, o secretário-geral do PS recebeu hoje a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) e vai ainda receber a Confederação Empresarial de Portugal (CIP.

Na segunda-feira, o líder socialista reuniu-se com a Confederação do Turismo Português (CTP), com a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) e com a Confederação de Agricultores Portugueses (CAP).

Mais Notícias