UGT defende apoio do Estado à requalificação de licenciados

O secretário-geral da União Geral de Trabalhadores (UGT) defendeu hoje em Leiria que o Estado deve apoiar universidades e institutos politécnicos na requalificação de jovens que já tenham formação superior, dotando-os de cursos com saída profissional.

"As universidades e politécnicos têm de apostar na requalificação de alguns jovens que têm qualificações dificilmente integráveis no mercado de trabalho. Um desafio para as universidades e politécnicos é criar cursos em que, por exemplo, o Estado apoie no pagamento das propinas de cursos virados para a empregabilidade", disse João Proença.

Durante a conferência "Dialogar e cooperar em tempos de crise", realizada na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Leiria, o secretário-geral da UGT defendeu a requalificação dos jovens licenciados, numa lógica de "políticas ativas de emprego que criem potencialidades".

Essa aposta, frisou, não pode permitir, "como no passado, que um jovem tire um segundo curso de baixa empregabilidade e que, em vez de ter um, fique com dois cursos de baixa empregabilidade".

João Proença considera que há áreas em que as universidades "formaram pessoas em número excessivo, ou os jovens apostaram em áreas de formação sem ter a noção das saídas profissionais".

Um dos desafios nacionais do momento é ter jovens licenciados que "fiquem com qualificações viradas para o mercado de trabalho", porque "há muitas áreas em que há falta de profissionais".

A favor dessa requalificação, o líder da UGT recordou ainda a "capacidade de adaptação à mudança que existe nos portugueses", considerando que isso "tem que ser potenciado pela educação, pela formação, pela inovação, pela capacidade empresarial, pela capacidade de diálogo quer institucional, quer social".

Em Leiria, o líder sindical falou ainda do programa europeu para o emprego de jovens até aos 25 anos, sublinhando a sua importância para Portugal, onde "a taxa de desemprego para este grupo atinge os 75 por cento".

"É um desemprego insustentável", considerou, desejando que o programa "arranque em breve" e "abra expectativas de futuro aos jovens, melhorando a capacidade técnica das empresas e a capacidade de integração de quadros".

João Proença referiu ainda a importância dos jovens terem "um ano ou dois de integração no mercado de trabalho", mesmo que essa experiência "não seja definitiva":

"Definitiva só quando houver crescimento, só com criação de postos de trabalho", concluiu.

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