'Troika' poderá atualizar projeções após 7.º exame

O comissário europeu dos Assuntos Económicos admitiu hoje que a Comissão Europeia, em conjunto com o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, venham a rever as projeções para Portugal após a sétima revisão do programa de ajustamento.

Falando em Bruxelas, na conferência de imprensa de apresentação das previsões económicas de inverno da Comissão Europeia -- que, em linha com o anúncio do ministro das Finanças, Vítor Gaspar, dois dias antes, preveem agora uma recessão de 1,9% este ano em Portugal -, Olli Rehn comentou que "Portugal está a implementar medidas significativas para colocar as finanças públicas sob controlo, mas o processo de ajustamento continua a pesar sobre a economia, que se contraiu de forma mais acentuada que o esperado no último trimestre do ano passado".

O comissário disse que tal se reflete nas previsões económicas para este ano, revistas em baixa, e "a missão regular de revisão, que começa na próxima segunda-feira, vai discutir com as autoridades e analisar as razões para este desenvolvimento e, se necessário, atualizar as projeções com os nossos parceiros da 'troika' no final da missão".

De acordo com as previsões económicas de inverno hoje divulgadas, a Comissão Europeia espera agora quase o dobro da recessão em 2013 que o estimado anteriormente, passando de uma contração de 1% para 1,9%, e indicou que pode voltar a piorar as previsões já no próximo mês de março.

Bruxelas explica que a queda de 1,8% do Produto Interno Bruto no quarto trimestre do ano passado (em termos homólogos) foi "inesperada" e que se deveu a uma contração pronunciada na procura interna e a uma desaceleração nas exportações nesta parte final do ano.

Com este resultado a recessão foi de 3,2% do PIB, mais grave que os 3% estimados na altura da sexta revisão do programa.

A destruição de emprego foi também maior que a prevista, o que levou a taxa de desemprego média anual do ano passado para 15,7%, superior aos 15,5% esperados na mesma altura pelo Governo e pela 'troika' (composta pelo Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu).

Com estes resultados, a revisão em baixa do desempenho que esperam para a economia é de 0,9 pontos percentuais, dos quais três quartos se devem a efeitos mecânicos dos maus resultados de 2012 e o resto a uma perspetiva menos otimista sobre o que podem vir a ser as exportações portuguesas e ainda os desenvolvimentos mais negativos do mercado de trabalho.

Bruxelas aponta agora para uma retoma gradual na segunda metade do ano, mas alerta que existem riscos consideráveis mesmo para estas previsões mais pessimistas, em especial devido ao elevado desemprego, deixando em aberto a possibilidade de rever novamente estas projeções quando forem divulgadas as contas nacionais trimestrais com mais detalhe (a 11 e a 28 de março) caso os próximos números do desemprego apresentem novo agravamento, já que agora esperam que atinja os 17,3% em 2013, ao contrário dos 16,4% estimados em novembro.

"Os riscos para as perspetivas macroeconómicas estão claramente inclinadas para a negativa uma vez que o maior agravamento que o esperado na situação do mercado de trabalho poderá apontar para uma deterioração persistente nas perspetivas de crescimento. Se isto for confirmando quando forem divulgados os dados com a composição da contração no último trimestre de 2012, mais revisões em baixa podem ser necessárias", alerta o documento.

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