Trabalhadores da Ambar denunciam salários em atraso

A Comissão de Trabalhadores da Ambar denunciou hoje salários em atraso e risco de desemprego para os 150 trabalhadores da empresa, afirmando que os funcionários estão "indignados com o arrastar de um processo de insolvência nos tribunais".

Em comunicado enviado à agência Lusa, a Comissão de Trabalhadores (CT) da Ambar - Ideias no Papel, SA, denuncia que "os salários estão constantemente em atraso desde fevereiro de 2012" e que "o mês de março e abril do corrente ano e os subsídios de férias e de Natal de 2012 ainda não foram pagos".

"O Conselho de Administração nada esclarece, nem tem qualquer previsão para a sua regularização. Navega-se à vista", criticam.

A CT alerta que "a empresa está nos seus últimos suspiros" já que "não paga os vencimentos, não paga a Segurança Social nem o IRS ao Fisco, não cumpre os acordos de pagamentos efetuados com estas entidades e atrasa pagamentos a fornecedores, incumprindo mesmo os acordos realizados em tribunal".

"É já muito difícil conseguir-se a recuperação da empresa, estando os seus 150 trabalhadores na eminência de serem lançados para o desemprego, o que irá custar ao Estado português mais cerca de três milhões de euros", sublinham.

A CT continua "desesperadamente a aguardar uma decisão do Tribunal, que teima em tardar, e à espera da entrada de um líder capaz e com talento".

Um grupo de 30 trabalhadores requereu, a 05 de fevereiro deste ano, um pedido de insolvência especial, processo que deu entrada no Tribunal do Comércio de Vila Nova de Gaia, 3.º Juízo, uma vez que estavam "conscientes e apreensivos com a incapacidade pessoal, técnica e profissional repetida e publicamente confessada da atual administração para alterar esta situação".

Apesar desse grupo de trabalhadores ter ficado "com a expectativa que o processo iria ser decidido com alguma celeridade", a empresa, segundo a CT, apresentou a contestação a 19 de março.

"Presume-se que, se respeitados os prazos previstos na lei, o tribunal deveria ter chegado a um veredicto até ao dia 29 de março. Não só não chegou, como, em 11 de abril, 15 dias

depois, requereu à empresa a junção dos documentos em falta na sua resposta à petição", relatam.

A CT contabiliza ainda que "de 2010 até ao final de 2012 a empresa consumiu ao Estado cerca de 7,6 milhões de euros com o propósito de assegurar a sua sustentabilidade e viabilidade" e que "são os cidadãos que estão a pagar a incapacidade do Conselho de Administração desta empresa privada".

A agência Lusa tentou contactar a Ambar mas até agora não foi possível obter qualquer esclarecimento.

Em maio de 2012, os trabalhadores tinham anunciado estar a preparar "novas formas de luta" para garantir o pagamento pontual dos salários em atraso e acusavam a administração de "empurrar deliberadamente" a empresa para uma situação "insustentável".

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