Sócrates em Frankfurt sem Constâncioou Trichet na agenda

Zapatero abdica da ibero-americana para aprovar medidas. Sócrates muda planos para ir a Frankfurt - sem o BCE na agenda oficial.

Juntos, mas só até Zurique. José Sócrates e José Luis Zapatero, os chefes de Governo ibéricos hoje sob forte pressão dos mercados financeiros, estarão hoje lado a lado na Suíça, defendendo precisamente a candidatura ibérica à organização do Mundial de Futebol de 2018. Esteve previsto que continuassem assim mesmo, lado a lado, até domingo - partindo ambos para a Argentina, país anfitrião da cimeira ibero-americana. Porém, Zapatero anunciou ontem que não o fará, devido à urgente necessidade de aprovar medidas adicionais de consolidação orçamental. Já Sócrates, ruma a Frankfurt, sede do BCE e em dia de reunião mensal, sem que - segundo o seu gabinete - esteja previsto qualquer encontro com o governador ou o seu vice, o português Vítor Constâncio. Estará, porém, na cidade alemã às 15.00, para visitar a feira mundial de moldes (em que portuguesas como a Cefanol e a Ibermoldes estarão presentes), ficando por lá até à noite (com um jantar pelo meio com empresários). Depois, sim, ruma à Argentina.

Enquanto isso, em Madrid, o Governo de Zapatero anunciou algumas das medidas extraordinárias que aprovará amanhã, para reforçar aos mercados os sinais de que tudo fará para atingir os objectivos propostos. Passam pela venda de 30% da empresa estatal de lotaria, pela concessão a privados da gestão dos aeroportos de Madrid e Barcelona e pelo fim do subsídio social pago aos desempregados que já perderam o direito ao subsídio de desemprego.

Madrid acelera assim um novo plano de consolidação, acelerando também as reformas já anunciadas, enquanto Lisboa se mantém firme no plano orçamental já traçado - e na recusa de outras reformas pedidas por Bruxelas, como é o caso das leis do trabalho.

Na noite de terça-feira, José Sócrates atirou mesmo contra quem, em Bruxelas, exige isso a Portugal. Dizendo que "Portugal não precisa de sugestões de ninguém", adiantou que, ao invés de diminuir os custos dos despedimentos, pretende, sim, "agir" no mercado laboral, "para que todos os que se encontram no desemprego regressem o mais rapidamente possível ao trabalho".

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