Sócrates diz que não foi ao Qatar para vender dívida

Portugal foi a Doha, no Qatar, para angariar investidores em empresas portuguesas, abrir mercado para as exportações, mas não abordará a questão das emissões de dívida pública (venda de Obrigações do Tesouro) com as autoridades locais, garantiu o primeiro-ministro, José Sócrates.

Naquela que é a primeira visita oficial de um primeiro-ministro português ao Qatar, um país muito rico em gás e petróleo, que faz fronteira com a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, a comitiva de ministros e de cerca de 50 empresários quer, com a viagem, desenvolver a relação de Portugal com o Qatar e esta zona do globo. A visita começou no Domingo e terminará na terça-feira.

"Discutimos sobre as oportunidades de investimento do Qatar em Portugal.

Falámos sobre o programa de privatizações [onde estão empresas como Galp, EDP, REN, TAP] e eles olharam para as oportunidades", disse Sócrates em declarações aos jornalistas. Relativamente a uma possível abordagem para vender dívida pública, o primeiro-ministro garantiu que tal não foi discutido. "Portugal continuará a financiar-se normalmente nos mercados. Essa questão da dívida pública está na cabeça de alguns jornalistas", criticou.

O encontro, no qual compareceram também os ministros José Vieira da Silva (Economia), Fernando Teixeira dos Santos (Finanças), Luís Amado (Negócios Estrangeiros) e António Mendonça (Obras Públicas), resultou na assinatura de dois memorandos de entendimento nas áreas do turismo e das energias renováveis/eficiência energética. Do lado do Qatar, esteve o primeiro-ministro e titular da pasta dos Negócios Estrangeiros, Hamad Al Thani, que liderou uma extensa delegação.

Para além daqueles dois vectores, Sócrates sublinhou o interesse de Portugal e das empresas nacionais noutros domínios como o sector financeiro, as infraestruturas, os materiais de construção. Não houve novidades nestes, mas a ideia é abrir caminho para que muitas empresas portuguesas venham a fazer negócios importantes (investimentos e exportações) no âmbito da preparação do Mundial de Futebol do Qatar de 2022, como foi noticiado pelo DN.

O ministro das Finanças esteve no encontro para, supostamente, apresentar os méritos das contas públicas nacionais, dar confiança aos possíveis investidores em Portugal e apresentar o pacote de seis mil milhões de euros em privatizações que o Governo actualmente prevê. No entanto, Teixeira dos Santos teve de fazer um intervalo nesta visita para ir a Bruxelas participar no Conselho dos Ministros da Economia e das Finanças (Ecofin), devendo regressar ao Médio Oriente na terça-feira. Junta-se a Sócrates e restante comitiva já no emirado do Abu Dhabi, um dos países da região mais ricos em petróleo, para participar na Cimeira Mundial sobre o Futuro da Energia.

*O jornalista viajou a convite do Governo

Mais Notícias

Outras Notícias GMG