Sindicato: adesão à greve "correspondeu às expectativas"

A adesão à greve dos pilotos da Portugália, que termina hoje às 23:59 ao fim de dez dias de paralisação, "correspondeu às expectativas", levando ao cancelamento de uma média de 40 voos diários, afirmou hoje o presidente do SPAC.

Numa entrevista à agência Lusa, Helder Silva, afirmou que "a adesão correspondeu às expectativas", apesar de a administração da TAP "tentar desvalorizar os números vedados ao acesso aos sistemas informáticos dos voos e transferindo antecipadamente voos Portugália (PGA) para voos TAP para abafar os efeitos da greve" de 10 dias.

Segundo as estimativas do presidente do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), a média de voos cancelados diariamente foi de 40, o que eleva para cerca de 400 as ligações afectadas nos 10 dias de greve para uma adesão de 80 por cento.

"A operação normal da PGA tem 60 a 70 voos por dia", especificou o presidente do Sindicato.

Os restantes voos foram maioritariamente transferidos para a TAP, que detém a Portugália, acrescentou.

Lúcia Cavaleiro, do gabinete de Relações Públicas da TAP, avançou à agência Lusa os números da empresa para a operação da Portugália hoje e que apontam para 37 voos efectuados e 14 cancelados.

Nos casos em que os voos PGA foram cancelados, os passageiros foram encaminhados pela TAP para os seus destinos, acrescentou Lúcia Cavaleiro.

Os pilotos da Portugália, que são 150, acusam a administração da TAP de "incoerência de discurso para tentar amedrontar" estes profissionais e pretendem explicações para o facto de o presidente da TAP, "Fernando Pinto dizer que a greve vai custar 1,5 milhões de euros" quando as decisões que defendem implicam um investimento de 400 mil euros por ano.

O conjunto de regras que os pilotos reivindicam, relacionadas com o tempo de trabalho, visam permitir "uma operação em segurança" o que, segundo as suas estimativas "custa 400 mil euros por ano".

"Num sector onde 80 por cento dos acidentes é devido a fadiga", o investimento em medidas que visem o tempo de trabalho dos pilotos é realçada pelo SPAC.

"Não podemos trabalhar sistematicamente nos limites e existe, em Portugal, um Código de Trabalho, que está a ser infringido. Os pilotos estão a trabalhar sete dias por semana. Isso não é legal, não é correcto", defendeu Helder Silva.

"Não temos problemas com a administração [da TAP]. Falta-nos um interlocutor credível e sério para discutir o que interessa", salientou o representante dos pilotos.

No entanto, recordou que a administração da TAP "adoptou uma política delatória e de não cooperação na mesa de negociações" e o "administrador do grupo TAP, Fernando Pinto afirmou que os pilotos iriam ter de aceitar a proposta da PGA".

"Consideramos que houve má fé negocial e não [houve] interesse em posicionar-se numa discussão séria e no plano técnico", sublinhou ainda o presidente do SPAC, acerca do processo que culminou na decisão dos pilotos, em assembleia geral, de avançarem para a greve.

Com a greve terminada, o sindicato vai procurar "obter respostas concretas e formais" à proposta que apresentou à empresa e promete contactar não só a administração da TAP, mas também o Ministério das Obras Públicas, liderado por Mário Lino.

Esta greve ficou marcada pela troca de acusações entre Fernando Pinto, e o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) com este a acusar o presidente da TAP de ter "mentido" e revelar "má fé" durante o processo negocial em curso na PGA.

O SPAC acusou Fernando Pinto de "contradições" no discurso, na sequência de uma entrevista que o presidente da TAP deu ao Expresso online onde afirmou não ter feito "ameaça nenhuma" de fechar a empresa, quando na primeira fase de paralisações em Abril tinha dito que aquela paralisação ameaçava "a viabilidade da empresa".

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