Salgado ataca Banco de Portugal e põe em causa idoneidade do primo

Ex-presidente do BES responsabiliza governo, Banco de Portugal, BESA e o contabilista Machado da Cruz pelo colapso.

Sobravam deputados, assessores e jornalistas e faltavam cadeiras quando ontem, às 09.12, Ricardo Salgado quebrou um longo silêncio e arrancou com uma exposição de 75 minutos na comissão de inquérito à gestão do Banco Espírito Santo (BES) e do Grupo Espírito Santo (GES). Munido de muitos papéis - só a intervenção inicial mereceu 58 páginas -, o ex-presidente da Comissão Executiva do BES agradeceu a oportunidade para que se pudesse defender: "Durante meses a fio, a minha família e eu próprio fomos julgados sumariamente na opinião pública."

Estava dado o mote para aquilo que viriam a ser as dez horas seguintes: desresponsabilização e ataques em várias direções, inclusivamente na do primo, José Maria Ricciardi, que disse ter tido um "comportamento, no mínimo, muito curioso" ao isentar-se de responsabilidades na carta enviada a 27 de maio ao vice-governador do Banco de Portugal (BdP), Pedro Duarte Neves, conforme o DN noticiou ontem. E não se conteve, embora tenha recusado apontar o dedo a alguém: "Se fez alguma denúncia ao BdP, é capaz de ter tido alguma contrapartida."

Lavando as mãos do colapso da instituição bancária, apesar de ter assumido alguns erros, Salgado afirmou nunca ter "dado instruções a ninguém para ocultar passivos" do GES e vincou que Machado da Cruz, o contabilista da Espírito Santo International (ESI), a holding do grupo, "assumiu totalmente a responsabilidade dos seus atos".

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