Saída "limpa" de Portugal reflete confiança, mas não significa fim do ajustamento

A agência de notação financeira Fitch considerou hoje a 'saída limpa' de Portugal do resgate financeiro como um reflexo da confiança dos investidores, mas afirmou que não significa o fim do ajustamento.

"A decisão de Portugal de fazer uma saída limpa do seu programa FMI-UE [Fundo Monetário Internacional -- União Europeia] e o seu regresso bem sucedido aos mercados de capitais (...) reflete a confiança dos investidores no progresso do país desde 2011", refere a agência de 'rating' num comunicado hoje divulgado e intitulado "Saída limpa de Portugal não marca o fim do ajustamento".

A decisão do Governo português, acrescenta a Fitch, reflete também "a forte liquidez" do mercado e a procura de capital enquanto as taxas de juros estão baixas.

A agência ressalva, no entanto, que, "sem um programa cautelar, o risco de Portugal ser apanhado numa futura crise de volatilidade de mercado não pode ser totalmente afastado", mas salienta que a "almofada financeira" de Portugal "mitiga" esse risco.

A Fitch estima que Portugal continue com um défice excessivo até 2015, o que deverá ancorar a política orçamental e implicar um ajuste orçamental "substancial a médio prazo".

Sobre a medida apresentada pelo Governo, no Documento de Estratégia Orçamental (DEO), de devolver, no próximo ano, 20% do salário cortado aos funcionários públicos, a agência considera que não se trata de uma medida de "enfraquecimento do compromisso" de reduzir o défice, e espera que tenha uma "impacto neutro" sobre a dinâmica da dívida.

A Fitch classificou, a 11 de abril, a dívida portuguesa com a notação de 'BB+'.

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