Quebras nas Scut nos 49%. Portagens ainda rendem 156ME

O tráfego nas antigas Scut registou em 2012 quebras que chegam a 49%, mas a introdução de portagens atingiu o valor mais alto, superior a 156 milhões de euros, em 11 meses.

Segundo dados da empresa Estradas de Portugal (EP), a maior quebra na utilização diária das antigas Scut (autoestradas sem custos para os utilizadores) este ano - marcado por inúmeras manifestações contra as portagens, sobretudo nas quatro autoestradas que passaram a ser pagas - fez-se sentir entre janeiro e setembro na Via do Infante (A22), no Algarve.

Esta autoestrada, que completou a 08 de dezembro de 2012 o primeiro ano de portagens, perdeu mais de 8.500 viaturas por dia, ou seja, cerca de 49% do tráfego.

Igualmente à passagem do primeiro ano de cobrança de portagens, na mesma data, as concessões da Beira Interior (A23) e Interior Norte (A24) já somam quebras de 35%, enquanto na autoestrada da Beira Litoral e Alta (A25) a perda foi de 26%.

A EP assumiu entretanto que cerca de 7% das quebras de 2012 são justificadas com situação económica do país.

Por este motivo, a redução média de tráfego nas três antigas Scut do norte - que nos primeiros nove meses deste ano rondou os 06 % -, já não apresentará, pela primeira vez, reflexos dos efeitos da introdução de portagens, o que aconteceu em 2010.

As três antigas concessões sem custos do norte já garantiram à EP, este ano, em portagens cobradas, uma receita de 68,7 milhões de euros.

Em dois anos de cobrança de portagens - até outubro de 2012 -, as concessões Norte Litoral, Grande Porto e Costa de Prata já renderam cerca de 140 milhões de euros, valor que a empresa admitiu à Lusa ficar aquém da receita esperada.

As restantes quatro concessões - as que agora completaram o primeiro ano de cobrança (interior e Algarve) - representaram um encaixe financeiro de 87,6 milhões de euros em 11 meses de 2012, sendo a A25 a recordista ao garantir 33,5 milhões de euros.

Desta forma, no primeiro ano de cobrança alargada a todas as antigas concessões Scut, a EP já conseguiu encaixar, até novembro, 156,3 milhões de euros, o valor mais alto desde que aquele regime de utilização de autoestradas começou a ser alterado.

Nestes dados, em termos de evolução do encaixe financeiro e no tráfego das autoestradas, ainda não é possível contabilizar o efeito da redução de 15% no preço das tarifas, sendo este o novo regime que substituiu o sistema de descriminação com base no local de residência que vigorou até 30 de setembro de 2012.

As isenções para as primeiras dez passagens mensais e os descontos de 15% nas restantes, que abrangiam cerca de 700 mil utilizadores residentes e empresas instaladas na área de influência das antigas Scut, deixaram de ser aplicadas a 01 de outubro, segundo o Governo, porque as diretivas da Comissão Europeia impedem a discriminação positiva em função da residência.

Segundos os utentes, os utilizadores menos regulares foram os mais prejudicados com esta alteração, já que poderiam fazer até dez viagens por mês, na concessão da área de influência, sem qualquer custo.

Em contrapartida, a redução de 15% aplicou-se a todas as concessões, deixando de vigor qualquer tipo de descriminação.

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