Portuguesa recomenda o Golfo Pérsico para investimentos

Luísa Rita Rackham, empresária portuguesa em Omã há mais de dez anos recomenda o Golfo Pérsico como território para investimentos e afirma que ser mulher não a impede de "comandar" negócios.

"Abri uma empresa com estatuto de investimento estrangeiro e ao estabelecer a companhia com essas características, que exigem 400 mil dólares de capital social inicial, posso desenvolver negócios em qualquer ponto do Golfo e ninguém me pode recusar o visto. Mesmo como mulher", disse à Lusa a empresária que acompanha a delegação empresarial portuguesa que se encontra em Mascate, capital de Omã.

"Não sinto nenhuma dificuldade por ser mulher, sinto-me extremamente respeitada pela comunidade de negócios omani", acrescentou Luís Rita, casada com um inglês que se dedica igualmente à empresa de agenciamento que fundaram em 2004, após alguns anos como diretora de marketing de empresas internacionais.

"Estive em 2001 pela primeira vez em Omã como diretora de marketing de uma empresa de marketing relacionada com eventos de desportos motorizados e decidi ficar no golfo", explica a portuguesa que viveu durante cinco anos na Arábia Saudita antes de se fixar em Mascate.

"Criei uma empresa, a 'Al-Luar'. Eu queria uma empresa com nome árabe e se disser o nome muito depressa quer dizer Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas em árabe. Por várias vezes, no início, quando dizia o nome da empresa tinha logo acesso ao diretor geral da empresa porque pensavam que eu era general das Forças Armadas, mas agora sou mais cuidadosa", conta.

A empresa da portuguesa dedica-se à importação, exportação, tratamento burocrático de alfandegamento e desalfandegamento de mercadorias nos portos ou no aeroporto de Omã e "sobretudo" ao agenciamento.

"Identifico empresas de pequena e média dimensão portuguesas que não têm capacidade comercial para poder internacionalizar-se com velocidade e tento dar-lhes oportunidades de negócio através dos meus contactos. Para as ajudar no primeiro arranque", explica.

Luísa Rita Rackham diz que a crise afetou Omã em 2008 mas que os "retrocessos" económicos estão a ser compensados atualmente e os projetos que tinham sido "congelados"estão a arrancar outra vez.

"Aqui há consumo e circula dinheiro na economia. As pessoas podem queixar-se da inflação porque afetou o mundo inteiro quando o preço do barril de petróleo aumentou acima dos 100 dólares mas há um entusiasmo que não morreu, ao contrário do que acontece em Portugal", diz a empresária que concorda com a aposta das empresas portuguesas nesta região do mundo.

"Faz todo o sentido porque temos excelentes empresas em Portugal e Omã é uma oportunidade. A internacionalização pode ser uma dificuldade ao princípio mas há empresários aqui que lhes podem dar apoio", concluiu Luísa Rita.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, o presidente da Agência de Investimento para o Comércio Externo de Portugal (AICEP), e cerca de 50 empresários iniciaram no sábado uma visita ao Golfo Pérsico, como deslocações ao Kuwait, Dubai e Emiratos Árabes Unidos, além da primeira paragem de 48 horas na capital do Sultanato de Omã.

No sábado, Paulo Portas encontrou-se em Mascate com Sayyed bin Mahmoud Al-Said, vice-ministro para o Conselho de Ministros do sultanato em que esteve presente o chefe da diplomacia de Omã.

"Somos amigos de há cinco séculos. Temos mais de 500 anos de conhecimento mútuo e de referências comuns e de uma mútua amizade", sublinhou Paulo Portas durante um encontro entre empresários promovido pela Companhia de Petróleo de Omã em que anunciou a assinatura de um acordo que vai evitar a dupla tributação entre o sultanato e Portugal tendo-se referido igualmente à política de vistos do Estado português.

"Há uma nova política de vistos que visa o investimento. Portugal oferece acesso ao Espaço Shengen a cidadãos que não são da União Europeia", disse Portas, para investidores que se interessem por "áreas ligadas ao imobiliário, que tenham projetos industriais e que criem emprego em Portugal".

Hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros vai encontra-se com o ministro do Petróleo e Gás de Omã antes da partida para o Kuwait.

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