Portugal deve consolidar contas sem perder de vista crescimento e emprego

O presidente do conselho europeu, Herman van Rompuy, salientou hoje em Lisboa a necessidade de Portugal continuar a consolidar as contas públicas mas sem perder de vista o crescimento e emprego, que devem ser estimulados.

"Manter o rumo é essencial (...) A consolidação fiscal deve ser feita de maneira gradual mas firme. Os défices excessivos devem ser contidos, mas essa é uma tarefa que claramente não pode ser feita de um dia para o outro", afirmou van Rompuy numa declaração aos jornalistas, no final de uma reunião com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e antes de um almoço em conjunto.

O responsável europeu disse que o encontro com Passos Coelho serviu para falar das "perspetivas económicas" de Portugal e da Zona Euro, preparar os conselhos europeus de maio e junho e discutir "assuntos importantes" tais como a energia e o combate à fraude e evasão fiscal.

Herman van Rompuy destacou que "numa altura de crise" o combate à fraude e evasão fiscal ganha especial importância, já que os "sacrifícios devem ser repartidos de forma igual" e que "todas as pessoas e todas as empresas devem contribuir para o esforço comum."

"É uma questão de justiça social e acredito que está na hora de, em conjunto, alcançarmos progressos concretos em matérias tais como a troca automática de informações" para combater esse flagelo em toda a Europa, afirmou.

"Estamos a falar de milhares de milhões de euros que estão em causa".

O presidente do conselho europeu destacou, por outro lado, os "progressos significativos" alcançados por Portugal nos últimos dois anos e que garantem ao país credibilidade junto dos seus parceiros europeus e também levaram a um aumento "gradual" da confiança por parte dos investidores.

Nesse âmbito, van Rompuy destacou especialmente a "rápida descida dos défices externos" graças ao "aumento significativo" das exportações, os "progressos visíveis na redução do défice" e os "ganhos importantes" alcançados ao nível da completividade.

O responsável europeu disse ter a "perfeita noção" de que esss esforços ainda não se traduziram em crescimento e emprego. Nesse sentido Herman van Rompuy salientou a importância de avançar e intensificar as reformas estruturais, particularmente "aquelas que facilitem o investimento por parte de empresas e criem emprego".

"É [também] preciso implementar urgentemente medidas para reanimar o crescimento e combater o desemprego a curto prazo - não só em Portugal como em outros países que sofrem de altos níveis de desemprego", acrescentou van Rumpoy.

O responsável adiantou que no conselho europeus vai apresentar "medidas concretas" nesse sentido, sendo outra prioridade "encorajar o Banco Europeu de Investimento" a acelerar as ajudas de forma a colmatar a "falta de crédito, que é um das principais problemas".

A nível europeu, van Rompuy destacou que a "conclusão da união bancária" apresenta-se como "principal prioridade", que o mecanismo do supervisor único "já está na fase final" e que o mecanismo de resolução pode ser feito dentro do tratado atual.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG