Políticos e sindicalistas exortam trabalhadores da TAP a continuar a lutar

Mais de uma centena de trabalhadores da TAP manifestaram-se contra a privatização da TAP e defendem que o processo não está encerrado e ainda pode ser travado.

Políticos e sindicalistas exortaram hoje os trabalhadores da TAP a continuar a lutar contra a privatização da empresa por considerarem que o processo não está encerrado e garantiram-lhes todo o apoio.

Os deputados do PCP Miguel Tiago e Bruno Dias, a deputada do Bloco de Esquerda (BE) Mariana Mortágua, o líder do MRPP, Garcia Pereira, e a histórica do POUS Carmelinda Pereira juntaram-se aos trabalhadores da TAP na Praça Luis de Camões, junto ao Ministério da Economia.

Ao início da manhã, o contrato de compra e venda de 61% do capital da TAP, tinha sido assinado no Ministério das Finanças, entre membros do Governo e responsáveis do consórcio Gateway, vencedor da privatização da companhia aérea.

Mais de uma centena de trabalhadores da TAP manifestaram-se ao início da tarde em Lisboa contra a privatização da empresa e prometeram tudo fazer para inverter o processo.

Apesar de o contrato de compra e venda da TAP já ter sido assinado, os trabalhadores e os seus apoiantes foram unânimes em considerar que o processo não está encerrado e ainda pode ser travado.

"Esta é uma luta que tem que continuar. Este processo não chegou ao fim, é apenas mais uma etapa. O Governo só falta vender a TAP por um maço de tabaco. Mas nós não desistimos de lutar, porque não existem inevitabilidades", disse Bruno Dias aos jornalistas, enquanto decorria a concentração.

O deputado prometeu que o PCP continuará a lutar contra "esta traição e crime económico" para que o país possa "recuperar o controlo sobre uma companhia estratégica".

O deputado Miguel Tiago, que falou aos manifestantes em nome do seu grupo parlamentar, prometeu que o PCP tudo fará para ajudar os trabalhadores da TAP a travar a privatização da empresa.

Para a deputada do BE Mariana Mortágua, "a luta dos trabalhadores da TAP contra a privatização da empresa tem sido importantíssima".

"É importante dizer à população que quando estes trabalhadores estão a lutar pela sua empresa e pelos seus postos de trabalho estão a lutar pelo seu país, pois o que estão a fazer com a TAP é um crime", disse à agência Lusa.

Mariana Mortágua acusou o Governo de, a poucos meses de sair, "estar a querer vender à pressa todas as empresas sem qualquer segurança".

A deputada lembrou que o seu partido tem feito tudo para ajudar os trabalhadores da TAP a travar a privatização e continuará a fazê-lo, não excluindo processos judiciais ou um processo de luta unitária com sindicatos e outros partidos.

O líder histórico do MRPP, Garcia Pereira também se solidarizou com os trabalhadores da TAP e exortou-os a continuar a lutar contra a privatização, porque têm a razão do seu lado.

"Se os trabalhadores tomarem a empresa ninguém os trava", disse aos manifestantes, acusando o governo de destruir a TAP e cometer "um crime de lesa pátria".

Carmelinda Pereira também participou no protesto e deixou a mensagem de solidariedade aos manifestantes, em nome dos professores e do sindicato a que pertence.

A concentração contou ainda com a participação de vários sindicalistas da CGTP, cujo secretário-geral passou pelo local no início do protesto.

Arménio Carlos explicou à Lusa que não podia ficar porque tinha reunião no Conselho Económico e Social mas fazia questão de deixar a sua mensagem de solidariedade aos trabalhadores da TAP.

A 11 de junho, o Governo aprovou a venda de 61% do capital social da TAP ao consórcio Gateway, do empresário norte-americano David Neeleman e do empresário português Humberto Pedrosa, um dos dois finalistas do processo de privatização da transportadora aérea portuguesa, sendo o candidato preterido Germán Efromovich.

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