PCP considera orçamento uma "brutalidade" de aumento fiscal sobre rendimentos dos trabalhadores

O líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, criticou hoje as medidas previstas na proposta de Orçamento do Estado para 2013, considerando que são "uma brutalidade" de aumento fiscal sobre os rendimentos dos trabalhadores, reformados e pensionistas.

Bernardino Soares comentava assim à agência Lusa a versão preliminar do Orçamento do Estado para 2013, que prevê, entre outros, um corte de 6% no subsídio de desemprego e de 5% no de doença, subidas no IRS e cortes nas pensões.

"Trata-se de uma brutalidade de aumento fiscal sobre os rendimentos do trabalho, que alia a contração dos escalões com o aumento das suas taxas, a diminuição das deduções e uma série de outros mecanismos que vão aumentar muito o imposto cobrado", disse.

O líder parlamentar comunista criticou ainda o Governo pela redução em 6% do subsídio de desemprego e a diminuição de 5% no subsídio concedido em caso de doença.

"É extraordinário o conjunto de medidas que vão sendo conhecidas, como, por exemplo, essa coisa, que é uma coisa extraordinária, que é uma contribuição adicional no subsídio de desemprego e no subsídio de doença, que é de fato uma coisa absolutamente inacreditável", afirmou.

De acordo com Bernardino Soares, estas medidas confirmam que o Governo continua apostado em tirar rendimentos aos trabalhadores e reformados, que também vão ser muito afetados através de um corte ainda mais elevado do que o anunciado anteriormente pelo Governo.

"Para os rendimentos do capital há pequenas reduções que não têm nenhum significado em comparação com a brutalidade do que está previsto para os rendimentos do trabalho", frisou.

Bernardino Soares adiantou ainda que o PCP vai continuar a lutar "de todas as maneiras possíveis" e que hoje o secretário-geral do partido, Jerónimo de Sousa, vai confrontar o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, durante o debate quinzenal na Assembleia da República.

Questionado sobre o apelo da Comissão Europeia para que o Governo prepare um "conjunto de medidas de contingência do lado da despesa que assegurem o cumprimento das metas orçamentais", Bernardino Soares disse que "não passa da intenção de extorquir o país e o povo português dos seus recursos e rendimentos".

No relatório da Comissão Europeia à quinta avaliação do programa português, divulgado na quinta-feira em Bruxelas, é feita também uma advertência para a necessidade de existir um consenso político que facilite a boa implementação do programa de ajustamento económico.

"É a continuação da mesma linha de quererem extorquir o nosso país e o nosso povo dos seus recursos e rendimentos, com a colaboração do Governo e do PS, que também assinou esse compromisso. É um sinal para continuar a extorsão dos nossos recursos de todas as maneiras possíveis e terá o nosso combate, como tem tido da generalidade do povo português", concluiu.

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