Parpública regista perda de 659 milhões de euros com saída da EDP

A Parpública registou uma perda de 659 milhões de euros com a venda das últimas ações que detinha na EDP, uma operação concretizada hoje com a alienação a institucionais de 4,144% do capital por 356 milhões de euros.

A colocação de hoje, a 2,35 euros por ação, num total de 356 milhões de euros, não conseguiu atingir o valor do reembolso (1.015 milhões de euros) da emissão obrigacionista que a Parpública devolveu a 18 de dezembro passado aos investidores, o que equivale a uma perda de valor de 659 milhões de euros.

A colocação desta participação no mercado marca em definitivo a saída do Estado da estrutura acionista da empresa a um valor que as principais casas de investimento apontavam como preço alvo e que retira da corrida a compra desta participação por parte dos chineses da China Three Gorges (CTG).

Recorde-se que a Parpública assinou no passado dia 22 de janeiro com o Banco Santander, o BCP, o BES e a CGD um contrato de financiamento no montante de 600 milhões de euros, justificada na altura pelo Ministério das Finanças por se tratar "do aproveitamento das facilidades de crédito subjacente ao projeto de alta velocidade -- Troço Poceirão-Caia, entretanto cancelado na sequência da recusa de visto pelo Tribunal de Contas ao contrato de concessão celebrado entre o Estado Português e a empresa ELOS -- Ligações de Alta Velocidade, S.A. ("ELOS")".

O preço de venda dos 4,144% da EDP é cerca de um terço mais baixo do que a Parpública pagou aos investidores obrigacionistas em dezembro, que foi de 6,7 euros por ação e com um desconto de 2,97% em relação à cotação da última sessão.

Isto acontece porque os títulos que ainda estavam nas mãos do Estado foram usados como garantia num empréstimo obrigacionista da Parpública em 2007, no valor de 1.015 milhões de euros, sendo que a maturidade deste empréstimo seria até dezembro de 2014, mas ficou escrito que os titulares das obrigações poderiam receber o reembolso deste empréstimo, a 6,7 euros por ação, em dezembro de 2012, tal como sucedeu.

Os chineses da CTG mostraram-se interessados em juntar estes 4,14% à sua participação de 21,35% na EDP em dezembro do ano passado, justificando mesmo a vinda do presidente Cao Guangjing a Lisboa, que, para além deste assunto, comemorou um ano de parceria com a EDP.

Após a recusa do Governo em aceitar a proposta da CTG, uma fonte do Departamento de Cooperação CTG-EDP, adiantou na altura à Lusa que não projetava apresentar novo preço.

"Tanto quanto a CTG sabe, a oferta não foi aceite pela Parpública", disse a mesma fonte respondendo por escrito a uma pergunta da agência Lusa em Pequim.

Durante a manhã de hoje, a CMVM suspendeu a negociação de ações da EDP nos mercados da Euronext Lisboa até à divulgação de informação pedida pelo regulador. Entretanto, após o anúncio, as ações da EDP voltaram a negociar na bolsa de Lisboa, estando a perder 1,57% para 2,28 euros.

De acordo com a informação da Parpública, a venda - com efeitos imediatos - das ações da EDP será processada através da Caixa BI -- Banco de Investimento e da Morgan Stanley.

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