"Não vejo dificuldade em salário mínimo de 500 euros"

O economista Augusto Mateus não vê qualquer problema no aumento do Salário Mínimo Nacional (SMN) e diz mesmo que pode ser uma oportunidade para que se crie uma grande unanimidade nacional.

"Depois deste período de ajustamento não vejo nenhuma dificuldade em passar o Salário Mínimo Nacional (SMN) para 500 euros, que suponho é o que está em cima da mesa", diz o antigo ministro da Economia no executivo liderado por António Guterres.

Augusto Mateus diz, em entrevista à Lusa, que seria extemporâneo fazer esse aumento já, para não se dar um sinal de que aos primeiros sinais de alguma melhoria se começava a abandonar um caminho de rigor, mas adianta que seria possível realizar esse aumento ainda em 2014.

De qualquer das formas, o economista considera "pacífico" que esse aumento ocorra "no princípio de 2015" e que o mesmo "devia ser feito com grande unanimidade nacional".

"O aumento do SMN é uma boa oportunidade que Portugal tem para que todos os partidos estejam de acordo, todas as associações patronais e sindicais estejam de acordo", sublinha o economista, adiantando que não consegue ver "como é que não pode haver unanimidade nacional" para "no dia 01 de janeiro de 2015 passar o SMN para 500 euros".

O economista lembra, no entanto, que é preciso dar algum tempo às empresas para se adaptarem, mas que é uma adaptação possível e diz que é preciso respeitar as atividades onde o aumento dos salários cria mais dificuldades.

"Tem de se respeitar que ainda existem em Portugal um conjunto significativo de empresas que ainda competem pelos custos com concorrentes que têm salários muito mais baixos que os portugueses", lembra, afastando, no entanto, que esse possa ser o caminho português.

"Esse não pode ser o futuro de Portugal. Se for programado [o aumento do SMN] e proporcionado, vamos de alguma maneira forçando que essas atividades" percam peso "na estrutura económica portuguesa e vão ganhando outras. Mas não posso dizer que é tudo igual".

O economista lembra que "podemos e devemos ter uma estratégia de valorização dos salários", mas que essa estratégia deve ser seguida num círculo virtuoso "em que os ganhos de competitividade e produtividade se transformam em ganhos salariais que potenciam novos ganhos de produtividade e competitividade, que dão mais ganhos salariais".

Até porque, quando não é assim, explica Augusto Mateus, "os frutos do crescimento económico desequilibram-se e uns ficam com muito mais do que deveriam ficar e outros muito menos do que deveriam ficar com custos para ambos. A desigualdade na repartição da riqueza destrói o dinamismo económico de uma economia moderna", conclui.

A discussão em torno do aumento do SMN foi reaberta pelo primeiro-ministro, Passos Coelho, que aceitou negociar o assunto no âmbito de um conjunto mais vasto de questões de competitividade.

Em dezembro de 2006, foi assinado um acordo entre o Governo de António Guterres, representantes dos patrões e dos trabalhadores, em concertação social, que previa que a remuneração mínima chegasse a 500 euros em 2011, mas tal não viria a acontecer fixando-se atualmente o SMN em 485 euros.

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