"Não avaliámos bem o impacto das mudanças em curso"

O ex-ministro socialista, que, como recordou hoje, passou 13 dos últimos 25 anos em funções governativas, fez uma espécie de "mea culpa" e alertou que as "ondas de choque" desta crise se irão prolongar "ainda por muitos anos"

O impacto das "profundas mudanças" internacionais em curso não foi avaliado "devidamente" pelos Estados, resultando numa crise com "consequências brutais" e que poderá durar "muitos anos", disse hoje o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Luís Amado.

Orador na terceira edição da Conferência da Lusofonia, organizada pelo Círculo de Reflexão Lusófona, que decorre na Assembleia da República, em Lisboa, o ex-ministro socialista disse ainda que é por isso que "o esforço de ajustamento que está a ser pedido" a famílias e empresas em Portugal "é extremamente exigente", mas também uma "condição estratégica absolutamente decisiva" para garantir a continuação da pertença europeia.

"Não podemos ignorar a gravidade da crise que estamos a viver. Esta crise não é uma crise como as outras", distinguiu, antecipando que as "ondas de choque sucessivas" que se vêm sentindo se prolonguem "ainda por muitos anos" e produzam "abalos significativos".

"Não relativizemos a profundidade estratégica e geopolítica da crise que estamos a viver, caso contrário a crise grave nos EUA e gravíssima no sistema europeu poderá agravar-se ainda muito mais", advertiu Luís Amado.

"Não avaliámos bem o impacto estrutural das profundas mudanças que estavam em curso", reconheceu, referindo-se às alterações internacionais e fazendo uma espécie de 'mea culpa', recordando que passou 13 dos últimos 25 anos em funções governativas.

As consequências do desenvolvimento tecnológico e das mudanças de poder, sobretudo para a China, "foram brutais" e os Estados da União Europeia, entre os quais Portugal, não as avaliaram "devidamente".

Hoje, as dívidas soberanas europeias e o "problema gravíssimo da confiança no euro e no sistema financeiro" demonstram essa avaliação deficiente, destacou.

Reconhecendo que Portugal está "muito deprimido e arrastado para um pessimismo que destrói toda a capacidade de construção e desenvolvimento", Luís Amado defendeu a valorização do papel do país "como ator importante para o relacionamento Norte-Sul".

Sobre o tema da conferência, "CPLP: polo à escala global", o ex-ministro frisou a importância de Portugal privilegiar a relação com o espaço lusófono.

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