Ministro alemão soube "com mágoa" da rejeição cipriota

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, tomou conhecimento, "com mágoa", do voto negativo do parlamento cipriota contra o plano de resgate europeu, na noite de hoje, durante uma entrevista televisiva.

"Soubemos com mágoa dessa decisão (...). Para que haja um plano de resgate, precisamos de uma solução credível para saber como é que o Chipre vai reencontrar um acesso aos mercados financeiros. De momento, o endividamento é muito elevado (...) tem de ser reduzido", afirmou o ministro ao segundo canal da televisão pública ZDF.

Schäuble admitiu que a situação é "grave", mas acrescentou que esta consideração "não deve conduzir a decisões sem sentido". Expressando a sua "compreensão" pelas manifestações em Chipre, sublinhou que estas "não devem conduzir à tomada de decisões irracionais, irresponsáveis".

Manteve a posição da Alemanha, que entende indispensável uma contribuição dos detentores de contas bancárias em Chipre.

"É preciso que os que colocaram o seu dinheiro nos bancos forneçam uma contribuição apropriada", disse, mas quanto à forma desta contribuição, remeteu para os cipriotas a sua definição.

O ministro procurou também tranquilizar os investidores quanto aos riscos de contágio da crise cipriota. "A Zona Euro é bem mais estável" do que nos primeiros meses da crise da dívida.

"Tomámos medidas em todos os países para evitar os riscos de contágio", pormenorizou, julgando designadamente o sistema bancário grego, muito ligado ao de Chipre, "bem mais sólido" do que antes.

O ministro repetiu várias vezes que o Chipre é o "único responsável" dos seus problemas e que devia reformar o sistema bancário, "completamente sobredimensionado" e que "não funciona".

Considerando a reestruturação do sistema bancário como "a única solução", Schäuble disse que competia "aos responsáveis cipriotas explicá-lo ao seu povo".

O parlamento cipriota rejeitou hoje o plano de resgate muito impopular aprovado no sábado com o Eurogrupo, destinado a evitar a bancarrota da ilha.

A imprensa local adianta que o Governo vai procurar renegociar os termos do acordo com a 'troika' (União Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu) e procurar outras formas de obter os 5,8 mil milhões de euros requeridos como contrapartida a um empréstimo de 10 mil milhões de euros na Zona euro e do FMI.

Entre as opções, estão a emissão de obrigações, a reestruturação dos bancos e a atração de investidores russos, ainda segundo a imprensa cipriota.

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