Medvedev diz que está em curso "o roubar o roubado"

O primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, considerou hoje que é necessário calcular cuidadosamente as consequências da crise em Chipre, frisando que, nesse país, tem lugar "o roubo do roubado".

"Aí, penso eu, continuam a roubar o roubado. É preciso compreender como, no fim de contas, vai acabar essa história", declarou Medvedev numa reunião com vice-primeiros-ministros do Governo russo.

A expressão "roubar o roubado" apareceu na Rússia depois da revolução comunista de 1917, como a tradução do princípio marxista "expropriar os expropriadores".

O dirigente comunista Vladimir Lenine declarou em janeiro de 1918: "Não posso encontrar nada incorreto na palavra de ordem "rouba o roubado" se ela entrar na História. Se nós empregamos as palavras 'expropriação dos expropriadores', porque é que não podemos passar sem termos latinos?"

Segundo Medvedev, é necessário analisar a situação em Chipre, como se vai refletir nos mercados mundiais, nomeadamente na Rússia.

Por enquanto, o Kremlin ainda não anunciou nenhuma reação concreta, mas os analistas esperam uma posição dura, pois, segundo alguns cálculos, empresas, bancos e cidadãos russos poderão perder mais de 40 mil milhões de euros.

Depois de uma primeira tentativa a 16 de março, a zona euro e o FMI chegaram a acordo, na madrugada de hoje, com as autoridades de Nicósia para conceder uma ajuda de 10 mil milhões de euros ao Chipre.

Em troca da ajuda, o país compromete-se essencialmente a reduzir o seu setor bancário, encerrando o segundo maior banco de Chipre, o Laiki Bank, e a reestruturar o maior, o Banco de Chipre.

Os depósitos inferiores a 100 mil euros não serão afetados, contrariamente ao inicialmente previsto, quando se avançou com a intenção de se criar uma taxa para todos os depósitos.

Entre outras medidas, figura um aumento do imposto sobre as empresas, que passa de 10 para 12,5%, e sobre as privatizações.

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