Maquinistas ameaçam com nova greve na CP

Dos 773 comboios programados pela CP para circular no dia 1 de janeiro de 2012 apenas 100 circularam para cumprir os serviços mínimos. António Medeiros Sindicato Nacional dos Maquinistas dos Caminhos-de-ferro Portugueses garante que ou o conflito com a empresa se resolve pela via negocial, eventualmente com a intervenção da tutela, ou haverá novo aviso de greve.

O primeiro dia do ano foi de greve na CP. Uma centena de comboios circularam quando estavam programados quase 800.

António Medeiros, presidente do Sindicato Nacional dos Maquinistas dos Caminhos-de-ferro Portugueses (SMAQ), disse à Lusa que os maquinistas estão "em adesão total e as exceções são o cumprimento dos serviços mínimos que o sindicato assumiu, como sempre".

Questionado sobre o que se segue, António Medeiros disse que ou o conflito com a empresa se resolve pela via negocial, eventualmente com a intervenção da tutela, ou haverá novo aviso de greve.

Além disso, lembrou, continua a decorrer a greve ao trabalho extraordinário e ao trabalho em dia de descanso, "porque nenhum maquinista aceita ir trabalhar em dia de descanso para que a empresa aplique a outros colegas sanções abusivas, ilegais e sem justificação".

António Medeiros explicou no entanto que, embora o tribunal arbitral tenha estabelecido que os serviços mínimos seriam na ordem dos 15%, na realidade os maquinistas estão a assegurar 20 a 30% dos serviços, porque a empresa já tinha definido um plano de redução para estes dias.

A circulação dos comboios normalizou hoje pelas 10:00, depois do fim da greve de domingo dos maquinistas, que admitem a convocação de novas paralizações.

"Esta manhã, até às 08:00, já foi possível assegurar 75 por cento da circulação", disse à Lusa a porta-voz da CP, Ana Portela, adiantando que no domingo "foram basicamente cumpridos os serviços mínimos", tendo-se "apenas realizado um comboio que não estava previsto".

Hoje, adiantou, "houve ainda supressões, sobretudo no período das 00:00 às 06:00, nos comboios urbanos de Lisboa, mas entre as 06:00 e as 08:00 a tendência foi de regularização quase total".

As greves poderão continuar este mês, caso a CP não chegue a acordo com os trabalhadores, adiantou à Lusa o presidente do Sindicato Nacional dos Maquinistas dos Caminhos-de-ferro Portugueses (SMAQ).

"Se [a CP] continuar com esta avalanche de processos e aplicação de sanções e não houver uma solução que altere este estado de coisas, esta perseguição, teremos de reagir novamente com novo pacote de greves", disse António Medeiros, acrescentando que o sindicato decidirá o que fazer nas próximas duas semanas.

Até às 14:00 do dia 1 de janeiro apenas 51 comboios, cerca de 14 por cento do total, circularam em todo o país, devido à greve dos maquinistas, que contestam processos disciplinares interpostos pela empresa alegadamente de forma ilegal.

As greves realizadas em 2011 pelos trabalhadores da CP tiveram como consequência para a empresa uma perda de receita "na ordem dos oito milhões de euros", avançou recentemente à Lusa a porta-voz da empresa.

Este ano, os sindicatos que representam os trabalhadores da CP apresentaram, no total, 51 pré-avisos de greve, sendo que muitas das paralisações decorreram de forma conjugada e simultânea, acrescentou Ana Portela.

O SMAQ, que representa 1.200 maquinistas da CP, avançou para a greve para contestar os processos disciplinares alegadamente ilegais interpostos pela empresa pelo incumprimento de serviços mínimos.

Só o Sindicato Nacional dos Maquinistas apresentou 12 pré-avisos de greve em 2011.

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