Inflação baixou para 3,5% em janeiro

A taxa de inflação em janeiro foi 3,5 por cento, segundo dados hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que estima em 1,1 por cento o "impacto mecânico" das alterações nos escalões do IVA.

Em dezembro, a taxa de variação homóloga (ou seja, comparando com o mesmo mês do ano anterior) do Índice de Preços no Consumidor (IPC) tinha sido 3,6 por cento.

O Governo prevê que em 2012 a taxa de inflação atinja os 3,3 por cento.

A variação em cadeia (isto é, relativa ao mês anterior) dos preços em janeiro foi 0,5 por cento, segundo o INE. Este aumento foi "influenciado pelas alterações no imposto sobre o valor acrescentado".

O Governo determinou a passagem de uma gama alargada de produtos das taxas reduzida (6 por cento) ou média (13 por cento) para a taxa máxima (23 por cento) a partir do início do ano (valores para o continente -- também houve mudanças na Madeira e nos Açores, onde as taxas são inferiores).

Um dos setores mais afetados foi a restauração. O impacto do aumento do IVA neste setor já foi significativo em janeiro, com a classe de produtos "restaurantes e hotéis" a registar uma variação mensal de 2,5 por cento.

Num "exercício de natureza puramente mecânica", o INE calculou o efeito da mudança nas taxas do IVA: um impacto de 1,1 por cento sobre os preços.

O instituto nota contudo que "as respostas dos mercados são condicionadas por vários fatores", e que esta estimativa serve apenas como "referência", já que parte do impacto do aumento do imposto pode ser "acomodada nas margens de comercialização".

Apesar do aumento do IVA, a classe de produtos que mais pressionou a subida dos preços em janeiro foi a dos combustíveis e lubrificantes.

A inflação subjacente -- excluindo os produtos energéticos e os alimentos não transformados -- situou-se numa taxa homóloga de 2,1 por cento.

A taxa de inflação de 3,5 por cento representa uma ligeira descida (menos 0,1 pontos percentuais) relativamente ao mês anterior.

Essa tendência é coerente com as expetativas do Governo e das instituições económicas internacionais. As projeções para 2012 apontam para que, apesar da crise económica e da diminuição do consumo, o efeito dos aumentos fiscais resulte numa taxa de inflação relativamente elevada (acima dos três por cento).

Paula Carvalho, analista sénior do BPI, afirmou à Lusa que só no segundo semestre deste ano é que se pode prever uma desaceleração mais significativa na subida dos preços.

Rui Henrique Alves, professor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP), também espera "um abrandamento do ritmo de crescimento dos preços muito influenciado pelas condições conjunturais negativas", com a austeridade a pressionar o consumo.

"Se nada mais mudar significativamente, diria que ao longo do ano é provável um abrandamento da inflação porque as pessoas terão menos dinheiro para comprar bens e serviços. Tudo isto é condicionado por outros elementos que já não estão no nosso domínio", como o aumento dos combustíveis e das matérias-primas, acrescentou o professor da FEP.

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