Finanças da UGT estão equilibradas e projeto sindical está seguro

João Proença deixa a liderança da UGT dia 21 com a convicção que a central está equilibrada financeiramente e tem condições para prosseguir o seu projeto sindical, mas tem de apostar na sindicalização para compensar as perdas causadas pelo desemprego.

"A situação financeira da UGT não foi fácil durante muito anos, o processo do Fundo Social Europeu causou-lhe problemas financeiros e também na área político-sindical, mas a UGT foi totalmente ilibada e ainda tem dinheiro a haver de formação relativa a 88 e 89", disse o sindicalista em entrevista à agência Lusa.

Proença lembrou que a UGT teve de vender todo o seu património e, quando assumiu a liderança da central em 1995, encerrou o centro de formação ISEFOC, mas atualmente vive apenas das quotas dos seus associados, sem problemas, mas com contenção.

"As receitas provenientes das quotas podem ser afetadas nos próximos anos devido ao elevado nível de desemprego e precariedade, por isso é importante captar novas sindicalizações", defendeu.

Segundo Proença, a UGT enfrenta um problema comum ao movimento sindical: a saída do mercado de trabalho dos trabalhadores mais velhos e com melhores salários.

Por isso, defendeu que um dos grandes desafios dos sindicatos será a luta contra a precariedade, que dificulta a intervenção dos sindicatos e a luta reivindicativa dos trabalhadores, que, com salários de subsistência, evitam descontar 1% para um sindicato ou participar em greves.

Apesar do clima adverso, João Proença considerou que os sindicatos "são as organizações mais representativas da sociedade e têm um papel insubstituível na defesa dos trabalhadores por conta de outrem", nomeadamente ao nível da negociação coletiva, que "beneficia os trabalhadores e as empresas".

"A UGT está extremamente atenta às necessidades dos trabalhadores. O seu projeto sindical não está posto em causa com a mudança de liderança", disse à agência Lusa.

Depois de 18 anos como secretário-geral da UGT, Proença vai sair no próximo congresso de dia 20 e 21 de abril, mas não pretende reformar-se, apesar de já ter idade para isso.

Pretende continuar a trabalhar na "defesa dos valores sindicais", colaborando com a UGT, nomeadamente dando-lhe apoio técnico na área da concertação social, no quadro da intervenção europeia e da CPLP sindical.

Vai manter, por isso, um gabinete de trabalho na sede da UGT, mas não interferirá nas decisões da central, assegurou.

Proença vai manter a atividade política, dentro do PS, mas prefere falar disso depois do congresso da central e do congresso do partido, que se realiza uma semana depois do da UGT.

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