Faria de Olveira: descida do 'rating' é imoral e insultuosa

O presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) considera "imoral e insultuosa" a descida do 'rating' de Portugal anunciada na terça-feira pela agência de notação financeira Moody's, salientando que as autoridades europeias devem reagir a este "ataque".

Fernando Faria de Oliveira, em declarações à Agência Lusa, vincou que "a alteração do 'rating' da República pela Moody`s é imoral e insultuosa. Imoral em relação aos argumentos e fundamentos, insultuosa para Portugal, que com um novo Governo maioritário e o apoio de 80 por cento dos eleitores está a aplicar rápida e determinadamente o acordo com a troika". O presidente do banco público defende que esta decisão da Moody's ofende igualmente a "União Europeia, a Comissão Europeia e os Estados Membros, e também o Fundo Monetário Internacional (FMI), que deram o seu aval ao acordo que agora começou a ser implementado". No entender de Faria de Oliveira, estas autoridades "não são irresponsáveis", pelo que defendeu que "a Zona Euro devia reagir perante este ataque e esta ofensa".

A agência de notação financeira Moody's cortou hoje em quatro níveis o 'rating' de Portugal de Baa1 para Ba2, colocando a dívida do país na categoria de lixo ('junk'). Em comunicado, a agência de notação financeira apresenta três razões que justificam esta revisão em baixa. Por um lado, a Moody's argumenta que existe o risco crescente de Portugal precisar de um segundo pacote de empréstimos internacionais antes de conseguir regressar aos mercados no segundo semestre de 2013.

Refere também que existe uma "possibilidade crescente de a participação dos investidores privados ser imposta como pré-condição" para esse segundo resgate, à semelhança do que está a ser estudado no âmbito de um segundo pacote de ajuda à Grécia. Um terceiro argumento utilizado pela Moody's prende-se com o agravamento dos receios de que Portugal não seja capaz de cumprir a totalidade das metas de redução do défice e da dívida acordadas com a União Europeia e com o Fundo Monetário Internacional, no âmbito do empréstimo de 78 mil milhões de euros.

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