Eventual acordo sobre despedimentos não é satisfatório

O secretário-geral da UGT afirmou hoje, em Bruxelas, que o eventual compromisso entre o Governo e a 'troika' sobre cortes nas indemnizações por despedimento não é satisfatório, mas "responde a algumas preocupações" da central sindical.

O Diário Económico noticiou hoje que a 'troika' aceitou na 7.ª avaliação ao programa português um "corte mais suave nas indemnizações por despedimento", sendo que "o valor das compensações poderá ser superior a 12 dias de salário nos primeiros anos".

"É um acordo que responde a algumas preocupações da UGT. Não a todas, mantemos a oposição sobre a solução final, embora haja uma solução que se aproximou bastante das posições da UGT, quer em termos do valor das compensações para a generalidade dos trabalhadores, em especial para os contratados a prazo", quer em termos da entrada em vigor, em simultâneo, das reduções com o fundo de compensações, "previsivelmente a 01 de janeiro do ano que vem", apontou João Proença.

O sindicalista apontou também que a UGT sempre se bateu, "como uma solução de compromisso, pelos 18 dias" de período de indemnização, "e são esses 18 dias que vão ficar para a esmagadora maioria dos trabalhadores".

Todavia, João Proença afirmou que não pode considerar "aceitável" o eventual compromisso alcançado entre o Governo e a 'troika' (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu), que deverá ser divulgado na sexta-feira pelo ministro das Finanças, Vítor Gaspar.

"Não diria que é aceitável. É um acordo que não viola totalmente o acordo (tripartido), mas é uma solução que não nos deixa satisfeitos, nomeadamente o facto de para os novos contratos permanentes a solução ser pior", disse.

Questionado sobre a posição da UGT sobre a Concertação Social, indicou que o assunto vai ser analisado "no secretariado nacional na próxima quarta-feira".

João Proença falava durante uma manifestação organizada pela Confederação Europeia dos Sindicatos, sob o lema "Juntos por um futuro melhor: Não à austeridade, sim ao trabalho para os jovens", e que juntou milhares de pessoas (15.000, segundo a organização).

Questionado sobre se espera que a mensagem dos manifestantes, concentrados a centenas de metros da sede do Conselho Europeu, chegue aos ouvidos dos líderes europeus, que se reúnem entre hoje e sexta-feira, o secretário-geral da UGT disse ser tempo de tal acontecer.

"Espero que a mensagem chegue lá, porque, de facto, é uma mensagem forte dos trabalhadores europeus, que querem uma Europa diferente, uma Europa que aposte no crescimento e no emprego", e não "esta Europa desmotivada", com "desemprego, pobreza, exclusão, agravamento das desigualdades, incluindo uma falta de coesão cada vez maior entre norte e sul", que é "uma Europa sem futuro".

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