Estudo da Deco sobre azeite "carece de rigor"

O produtor do azeite "Grão Mestre", uma das cinco marcas que um teste da Deco considerou fora da lei, sustentou hoje que o estudo da associação de defesa dos consumidores "carece de rigor" e faz "generalizações abusivas".

Em comunicado, a Penazeite - Azeites Tradicionais, com sede em Penamacor, acusa a Deco de prestar "um pobre serviço aos que pretende defender, publicando um artigo que, intencionalmente, ignora as informações prestadas pelos produtores, que carece de rigor, fazendo generalizações abusivas entre lotes e marcas, e que arrisca orientar a escolha dos consumidores por critérios mal explicados".

Na terça-feira, a Deco divulgou as conclusões de um teste a 25 marcas de azeite, segundo o qual cinco estavam fora da lei, incluindo a "Grão Mestre", por se apresentar como "azeite virgem extra", quando, na verdade, de acordo com a associação de defesa dos consumidores, era "azeite virgem".

A Deco argumenta que um teste sensorial comprovou que amostras de azeite de quatro marcas, nomeadamente a "Grão Mestre", tinham "defeitos que, por lei, o azeite virgem extra não pode manifestar".

No comunicado hoje divulgado, o produtor do azeite "Grão Mestre" reconhece que, após a "leitura atenta" do resultado das análises enviadas pela Deco no âmbito do estudo, constatou que "apenas um dos parâmetros da análise sensorial comprometia a classificação da amostra usada no estudo na categoria de azeite virgem extra".

Contudo, a Penazeite ressalva que os resultados da análise sensorial feita ao lote incluído no estudo da Deco por uma "entidade independente e acreditada", a pedido da empresa, confirmam "a classificação do referido lote como azeite virgem extra".

O produtor do azeite "Grão Mestre" lamenta que, "em claro desrespeito pelo seu dever de informar os consumidores", a Deco tenha ignorado os resultados das análises que a empresa efetuou e enviou à associação de defesa dos consumidores.

Já na terça-feira, o produtor do azeite "Alfandagh", que a Deco referenciou como não sendo azeite, tinha refutado as concusões do teste da Deco.

O estudo aponta quatro marcas de azeite com informação incorreta ao consumidor no rótulo e uma quinta que não era azeite.

Na terça-feira, confrontada pela agência Lusa com as ilegalidades descritas pela associação de defesa dos consumidores, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) referiu que, na situação em concreto, "procedeu a novas colheitas de amostras de mercado" e, das análises, concluiu que seis amostras de azeite não estavam conformes, sendo que três "configuram situações relacionadas com fraude sobre mercadoria, por ter sido detetada a existência de azeite refinado".

Sem mencionar marcas, a ASAE assinalou, ainda, que "todos os processos estão a seguir a sua tramitação normal, tendentes à retirada destes azeites do mercado", devido a fraude económica ou a deficiente informação ao consumidor.

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica salvaguardou que nenhum dos casos "é suscetível de pôr em risco a segurança e a saúde dos consumidores".

Mais Notícias

Outras Notícias GMG