Estado "é um desastre" a gerir bancos

Ricardo salgado, presidente do BES, reiterou hoje que o banco só vai recorrer ao fundo de capitalização em última instância, depois de esgotadas as soluções de mercado, e afirmou que o Estado foi sempre um "desastre" quando teve de gerir bancos.

"Devemos mobilizar todos os 'stakeholders' do banco, atirando para último recurso uma ajuda dos fundos do Estado", afirmou Ricardo Salgado, reafirmando assim que o BES não pretende - pelo menos por agora - recorrer aos 12 mil milhões de euros do fundo de capitalização público que foi reforçado no âmbito do acordo com a 'troika' para fazer face às necessidades de capital das instituições.

O BES anunciou na terça-feira uma oferta de troca de obrigações por acções com o objectivo de aumentar o capital do banco de até 790,7 milhões de euros, com o objectivo de melhorar os rácios de capital. A ser bem sucedida, após esta operação, o rácio de capital 'core tier 1' do banco passará a 9,67 por cento, cumprindo assim a exigência do Banco de Portugal para este ano e aproximando-se do rácio dos 10 por cento exigidos para 2012.

Ricardo Salgado, que falava num encontro com os jornalistas, garantiu que não tem "nada contra a linha de capitalização" mas admitiu que prefere manter a instituição longe de qualquer intervenção estatal.

"O banco é privado, tem hoje milhares accionistas e tem mais interesse em alargar a sua base accionista (pela via da conversão de obrigações) do que em ter um só accionista que é o Estado mas que não acrescenta valor, a não ser uma 'backstop facility' em caso de necessidade", afirmou Salgado.

O banqueiro foi mesmo mais longe e deu o exemplo de bancos de outros países para afirmar que, de acordo com a história, o Estado não sem sido um gestor eficiente de instituições bancárias.

"O Estado a gerir bancos é um desastre, veja-se o caso do Crédit Lyonnais em França", afirmou salgado, acrescentado que "bombar capital para dentro das instituições é importante, mas muito mais importante é uma boa gestão bancária".

Sobre a proposta dos banqueiros portugueses de passar parte das dívidas de empresas públicas para um veículo financeiro, o que daria folga aos bancos, Salgado disse que essa foi uma ideia "imaginativa do sistema financeiro para ajudar as empresas públicas" mas que já morreu uma vez que "já foi confirmado que não há qualquer hipótese de ser alterado" o papel do fundo de capitalização.

Salgado voltou ainda a reiterar que capital não é o principal problema dos bancos - não só portugueses mas europeus - como fazem crer os líderes políticos.

"Não tenho dúvidas de que encontrando-se uma solução para a Grécia e uma melhor coordenação na Europa, há condições para a recuperação do mercado de capitais", afirmou.

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