Empresas de Roquette para Alqueva pedem insolvência

As empresas do grupo SAIP, liderado por José Roquette e promotor do maior projeto turístico para o Alqueva, deram entrada com o processo de insolvência no Tribunal de Reguengos de Monsaraz, por "falta de financiamento bancário".

Segundo a administração do grupo Sociedade Alentejana de Investimentos e Participações (SAIP), em informações enviadas hoje à Agência Lusa, as empresas "apresentaram-se, na terça-feira, a Processo Especial de Insolvência".

"A empresa viu-se forçada a apresentar o pedido de insolvência em resultado da falta de acordo quanto ao modelo de financiamento do projeto, que foi comunicada, de forma definitiva, pelo grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD), no final do mês de julho", revela a SAIP.

O promotor garante que, "sem o apoio dos bancos, não pode assumir sozinho o risco do projeto, pelo que mais não lhe resta senão apresentar o processo à insolvência".

Os bancos, "da mesma forma que seriam responsáveis pelo sucesso que o projeto viesse a ter, agora que recuaram nesse apoio tornaram-se responsáveis pelo fracasso que a apresentação à insolvência representa", acusa a SAIP.

O grupo, liderado pelo empresário José Roquette, é promotor do projeto turístico Roncão d'El Rei - antigo Parque Alqueva -, no concelho de Reguengos de Monsaraz, nas margens da albufeira, num investimento de quase mil milhões de euros, a concretizar em várias décadas.

Classificado, durante a governação do PS, como de Potencial Interesse Nacional, e, depois, já pelo atual Governo PSD/CDS-PP, como Projeto de Interesse Estratégico Nacional, o empreendimento já tinha entrado em obras, com a construção do campo de golfe.

A SAIP, lembrando que o projeto é "o único" no setor turístico a possuir a atual classificação, justifica que é a "falta de financiamento da CGD" que leva à apresentação em tribunal da insolvência das empresas do grupo.

"Os bancos financiadores, BPI e CGD, têm procurado, desde 2009, estruturar o financiamento de médio/longo prazo a que se comprometeram" e que "só conseguiram apresentar em outubro de 2011", refere a empresa.

Contudo, sublinha, este modelo de financiamento apresenta "condições que não são aceitáveis para o principal acionista das sociedades e promotor do projeto".

"Em especial porque a CGD não respeitou compromissos inicialmente assumidos, que permitiriam ao promotor concluir o projeto", critica a SAIP.

O promotor diz ainda ter procurado "um entendimento com os bancos ou soluções alternativas" para avançar com o investimento, mas sem sucesso, embora a "última proposta de refinanciamento" tenha recebido, "na fase final, a aprovação do BPI".

Só que a CGD confirmou que "não financiaria o projeto sem a manutenção de garantia pessoal antes prestada pelo promotor", adianta o grupo liderado por Roquette.

Mas tal garantia "representa, em termos práticos, que seria o promotor a assumir de forma ilimitada a responsabilidade pelo projeto, não partilhando a CGD do risco pelo qual foi e continuaria a ser muitíssimo bem remunerada", argumenta a SAIP.

O promotor assegura que, desde o início, confiou que "estariam reunidas as condições para o financiamento" do Roncão d'El Rei "até à sua conclusão".

"Foi por isso que suportou os enormes custos, financeiros e outros, decorrentes deste tempo de indecisão dos bancos, os quais, em grande parte, poderiam bem ter sido evitados se tivesse havido uma resposta atempada" por parte da banca, destaca.

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