Cronologia do caso BPN

Cronologia dos principais acontecimentos sobre o Banco Português de Negócios (BPN)  desde a sua fundação até à constituição como arguido do antigo ministro da Saúde, Arlindo Carvalho:

1993 - A fusão das sociedades financeiras Soserfin e Norcrédito, com negócios na banca de investimento dá origem à criação do BPN, vocacionado para a banca de investimento.

1998 - O antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do PSD Oliveira e Costa, que ocupou o cargo num dos governos liderados por Cavaco Silva, assume a liderança do BPN, transformando-o num banco comercial. Nesse ano, é criada a Sociedade Lusa de Negócios (SLN), 'holding' destinada a agregar os investimentos não financeiros do grupo.

2002 - Compra do banco Efisa e da corretora Fincor. O grupo comprou ainda o Banco Insular em Cabo Verde, embora tenha ocultado o facto ao Banco de Portugal.

2007 - O Banco de Portugal pede ao grupo SLN/BPN que clarifique a sua estrutura accionista e proceda à separação entre as áreas financeiras (BPN e Real Seguros) e não financeiras (SLN Investimentos, Plêiade e Partinvest). Os esclarecimentos da administração do banco apenas foram prestados em 2008, já após a saída de Oliveira e Costa, pelo então presidente interino Abdool Vakil.

Fevereiro de 2008 - Oliveira e Costa abandona a presidência do grupo SLN/BPN, invocando problemas de saúde. Na altura, vários dos principais accionistas - como Joaquim Coimbra, entre outros - defendiam a separação entre a área financeira e não financeira do grupo, bem como a nomeação de uma nova equipa de gestão.

Junho de 2008 - Miguel Cadilhe, antigo ministro das Finanças e ex-administrador do BCP, é eleito presidente do grupo SLN/BPN, substituindo Abdool Vakil.

Outubro de 2008 - O banco recorre a um financiamento de 200 milhões de euros junto da Caixa Geral de Depósitos para enfrentar as dificuldades de liquidez causadas pela crise financeira internacional.

02 de Novembro de 2008 - O Governo anuncia que vai propor ao Parlamento a nacionalização do BPN, devido à descoberta de um 'buraco' de 700 milhões de euros, que durante anos foi ocultado do supervisor através do Banco Insular de Cabo Verde

05 de Novembro de 2008 - A Assembleia da República aprova a nacionalização do BPN, promulgada a 11 de Novembro pelo Presidente da República.

20 de Novembro de 2008 - Oliveira e Costa é constituído arguido e detido por suspeitas de burla, branqueamento de capitais e fraude fiscal.

21 de Novembro de 2008 - José Oliveira e Costa fica em prisão preventiva por decisão de juiz de instrução

Dias Loureiro garante desconhecer existência do Banco Insular, bem como de irregularidades no BPN e afirma que pediu ao Banco de Portugal "especial atenção" ao BPN em 2002, tendo sido desmentido pelo antigo vice-presidente do banco central, António Marta.

05 de Dezembro de 2008 - Inquérito parlamentar sobre actuação do Banco de Portugal aprovado por unanimidade.

18 de Dezembro de 2008 - Auditorias revelam 950 milhões de euros de perdas e imparidades ocultadas ou omitidas por ex-gestores

29 de Dezembro de 2008 - Miguel Cadilhe deixa o cargo de presidente executivo da SLN, substituído por João Carvalho das Neves

03 de Fevereiro de 2009 - As perdas do Banco Português de Negócios (BPN) atingem 1,8 mil milhões de euros, contabilizadas as imparidades nos bancos Insular, Cayman e IFI, revela o administrador da instituição Norberto Rosa na comissão parlamentar de inquérito à nacionalização do banco

27 de Maio - Dias Loureiro comunica a Cavaco Silva a sua renúncia ao cargo de conselheiro de Estado, após uma série de apelos de vários quadrantes políticos para que tomasse essa decisão.

01 de Julho - Dias Loureiro é ouvido como arguido no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) relativamente a dois negócios, o da Biometrics e o da Redal de Marrocos.

02 de Julho - Oliveira e Costa é ouvido durante sete horas no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), em Lisboa.

07 de Julho - O advogado do ex-presidente do BPN Oliveira e Costa entregou no Tribunal Central de Instrução Criminal um pedido de libertação do seu cliente por considerar já não estar em perigo a produção de prova.

19 de Julho - O ex-ministro da Saúde Arlindo Carvalho e dois administradores da sociedade Pousa Flores foram constituídos arguidos no caso BPN.

API/DN

Lusa

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