Cortes salariais começam em julho e rescisões após o verão

Os cortes salariais no BCP deverão entrar em vigor em julho e depois do verão será iniciado o processo de rescisões em que deverão sair centenas de trabalhadores, disse hoje o presidente do banco.

"Se tudo correr conforme o normal, contamos iniciar a redução salarial entre junho e julho. Provavelmente em julho", disse hoje Nuno Amado, na conferência de imprensa de apresentação dos resultados do banco no primeiro trimestre, período em que teve prejuízos de 41 milhões de euros.

O responsável disse ainda que quanto ao programa de saídas de pessoal é "provável que esse processo se inicie após o verão", acrescentando que será "uma mistura de rescisões por mútuo acordo e reformas antecipadas com base nos critérios acordados e definidos com os representantes dos trabalhadores".

Questionado sobre quantos colaboradores quer o banco que saiam através desse processo, Amado não adiantou dizendo que depende de quantos trabalhadores o BCP tiver quando este se iniciar, uma vez que há saídas naturais de trabalhadores, quer porque se reformam quer porque escolhem mudar de emprego.

"Um processo mais ou menos intenso depende evolução natural. O banco tem intenção de, na medida do possível, maximizar o emprego, mas sabe também que temos obrigações a cumprir. (...) Vamos fazer com que este processo seja, dentro do difícil, seja o menos difícil possível", afirmou, não adiantando dados sobre um possível despedimento coletivo.

O plano de reestruturação que o BCP acordou com Bruxelas, depois de o Estado ter injetado 3.000 milhões de euros no banco para o recapitalizar, prevê a redução do número de trabalhadores em Portugal para 7.500 até final de 2017, o que significa menos 1.004 colaboradores do que os 8.504 que o banco tinha no final de março.

Com vista a evitar despedimentos, no final de 2013, a administração do BCP e os sindicatos chegaram a um pré-acordo para um corte temporário dos salários (entre os 3% e os 11%) a todos os trabalhadores com remunerações acima dos mil euros brutos mensais, os quais deverão então entrar em vigor em junho ou julho.

Os cortes salariais irão manter-se em vigor até à saída do investimento público e quando o banco regressar aos lucros será levada à assembleia-geral uma proposta para que os trabalhadores recebam o dinheiro entretanto cortado.

Além dos cortes de salários, o BCP vai ainda levar a cabo processos de rescisões amigáveis e reformas antecipadas.

No início deste ano, o presidente do BCP disse que o banco quer evitar o despedimento coletivo mas que tem de cumprir escrupulosamente o acordo feito com Bruxelas, pelo que vai fazer um "conjunto relevante de rescisões e reformas antecipadas para não entrar noutros mecanismos", ou seja, no despedimento coletivo.

O BCP tem vindo a "emagrecer" os seus recursos humanos. Em 2012, saíram mais de 1.000 trabalhadores e em 2013 foram mais 398 funcionários.

Ainda da conferência de imprensa de hoje, Nuno Amado disse que as datas agora previstas para os cortes salariais e para o processo de rescisões e reformas "são compatíveis com os objetivos de redução de custos e não metem em causa o acordo com a Direção-Geral da Concorrência" da Comissão Europeia.

Segundo o acordado com Bruxelas, o BCP tem de chegar a 2015 com custos operativos inferiores a 700 milhões de euros.

Nuno Amado disse ainda que, além da saída de pessoal, há outras variáveis que ajudarão a reduzir custos, como a centralização de serviços ou a redução de sucursais. Em março, o banco tinha 748 balcões.

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