Colapso do euro terá "efeitos devastadores"

Um eventual colapso do euro terá "efeitos devastadores" na economia mundial, disse hoje em Luanda o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros português Luís Amado, que caracterizou a situação como "à beira do desastre".

"A crise na zona euro, um eventual colapso (do euro) teria efeitos devastadores na economia mundial, num contexto internacional muito preocupante. No ponto de vista político estamos num momento muito perigoso", disse Luís Amado, que interveio hoje em Luanda numa conferência promovida pelos jornais semanários Expansão e Sol. No final, em declarações à Lusa, instado a comentar o que espera do Conselho Europeu de sexta-feira e se se pode confiar nos actuais dirigentes políticos europeus, Luís Amado salientou que não existem "outros protagonistas".

"Não há outros protagonistas e sem o projecto europeu a Europa ficaria perdida. Os povos europeus ficariam sem uma narrativa que os tem politicamente alimentado ao longo de várias décadas e ficariam seguramente perdidos no sistema internacional", considerou. Apesar dos condicionalismos existentes, Luís Amado afirmou confiar que os dirigentes europeus vão estar "à altura das suas responsabilidades e saberão encontrar soluções que devolvam alguma estabilidade e alguma confiança ao projeto europeu".

"Isso pressupõe necessariamente nesta fase alguma certeza em relação à futura estabilidade do euro. E a estabilidade do euro, como já sabemos, passa pela correcção de problemas que não foram devidamente tidos em conta na sua génese, designadamente as divergências de competitividade e de fiscalidade, que têm de ser corrigidos e penso que são essas decisões que estão na agenda do Conselho Europeu", acrescentou. Luís Amado destacou também a importância da região do Atlântico Sul, defendendo que o África e a América Latina se afirmem, densificando as relações económicas, comerciais, de investimento e políticas, o que deverá ser feito por via de "ação concertada e conjunta" do Brasil e Angola.

Em causa está a enorme pressão que países como a China e a Índia vêm exercendo nos últimos anos em África e na América Latina. "Tenho dito frequentemente que a rápida concentração de riqueza, recursos, demografia e influência de poder no sistema Índico-Pacífico pressupõe que o eixo Atlântico se reconstitua com outra ambição, e que não se reduza à expressão Euro-Atlântica que tem acontecido nas últimas décadas", frisou. Na intervenção, subordinada ao tema "Os efeitos da crise europeia na economia mundial", o antigo chefe da diplomacia portuguesa sustentou que "o colapso do euro será porta aberta para o confronto e a violência".

A alternativa é encontrar um rumo que, reconheceu, "não será fácil nem rápido". "Como e com que ritmo ainda não se sabe, mas vai passar por alterações nos tratados" europeus, vaticinou. Antes de Luís Amado interveio Manuel Nunes Júnior, antigo ministro da Coordenação Económica angolano e atual professor da Faculdade de Economia Pública da Universidade Agostinho Neto, o qual considerou que a crise económica na Europa poderá ter como efeitos a procura do principal produto de exportação de Angola, o petróleo, influenciando negativamente as receitas do país.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG