CGD prepara operação de financiamento

A Caixa Geral de Depósitos vai avançar em breve com as diligências necessárias para obter um financiamento com garantia estatal, revelou hoje à agência Lusa o presidente, Faria de Oliveira.

"Estamos a preparar uma operação da mesma natureza", avançou o presidente da Caixa Geral de Depósitos, depois de questionado se o banco público estava a ponderar realizar uma operação de financiamento com garantia estatal, à semelhança da que foi anunciada na segunda-feira pelo Banco Espírito Santo (BES). Faria de Oliveira falou à Lusa à margem da apresentação do relatório da CGD dedicado ao desenvolvimento da economia portuguesa. Antes, os jornalistas já tinham pedido ao banqueiro um comentário sobre o anúncio feito na véspera pelo BES, que comunicou ter solicitado ao Banco de Portugal a concessão de uma garantia do Estado Português para um financiamento através da emissão de obrigações não subordinadas de até 1,25 mil milhões de euros. "Não comento as estratégias dos outros bancos", respondeu Faria de Oliveira, acrescentando que as outras entidades "tomam as suas estratégias".

A CGD, tal como o BES, vai usar as garantias estatais pela segunda vez, sendo um dos seis bancos que já tinham avançado com emissões de dívida garantida pelo Estado português, uma medida que foi criada no auge da crise financeira de 2008 e cujo valor global de utilização ascendeu até ao momento aos 5.675 milhões de euros. Até ao anúncio de hoje, o BES e o BCP usaram 1,5 mil milhões de euros cada um, a CGD utilizou 1,25 mil milhões de euros, o Banif garantiu 550 milhões de euros, o Finantia 100 milhões de euros e o Banco Invest 25 milhões de euros. Uma utilização bastante aquém do montante total inicialmente de 20 mil milhões de euros disponibilizado aos bancos para o reforço da estabilidade financeira e da disponibilização de liquidez, de forma a manterem o financiamento às empresas e às famílias.

Os principais banqueiros portugueses têm afastado ao longo das últimas semanas a possibilidade de usarem fundos públicos para se capitalizarem, ao abrigo do mecanismo criado em 2008 e agora reforçado com as negociações com a 'troika', mas estão a aproveitar a possibilidade de recorrer aos montantes disponibilizados em termos de financiamento com garantia estatal no âmbito do mesmo plano de apoio ao sector financeiro nacional. Os ministros das Finanças europeus deram na segunda-feira, em Bruxelas, 'luz verde' ao programa de assistência financeira a Portugal de 78 mil milhões de euros, onde se incluem até 12 mil milhões de euros para o sistema bancário.

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