BPI aprova liquidação das empresas do Alqueva

O BPI, o maior credor das quatro empresas insolventes do projeto turístico liderado por José Roquette para o Alqueva, aprovou hoje a liquidação da massa insolvente das mesmas, mas a deliberação não significa, necessariamente a "morte" do investimento.

A decisão marcou as assembleias de credores das empresas da Sociedade Alentejana de Investimento e Participações (SAIP), que solicitaram a insolvência, a qual foi declarada a 14 de setembro, pelo Tribunal de Reguengos de Monsaraz.

Nas quatro assembleias de credores, realizadas na terça-feira e hoje - relativas à SAIP SGPS, Monte das Areias-Gestão Cinegética e Turística, SA, SAIP Turismo e à Sociedade Imobiliária Lagoa do Alqueva, SA -, o banco BPI "votou sempre contra a recuperação" das empresas.

"O BPI, o maior credor em todas estas empresas do grupo, com créditos que, no global, rondam os 15 milhões de euros, rejeitou o parecer do administrador da insolvência e votou pela liquidação imediata" da massa insolvente, revelaram hoje à agência Lusa fontes ligadas ao processo.

As mesmas fontes indicaram que o relatório do administrador da insolvência "pedia um prazo para a negociação e tentativa de encontrar um investidor" para o projeto turístico Roncão d'El Rei, que a SAIP estava a construir no concelho de Reguengos de Monsaraz, na zona do Alqueva.

Atualmente, segundo as fontes contactadas pela Lusa, estão "identificados alguns possíveis investidores", interessados em "pegar no projeto", mas não há ainda "nada concretizado".

Como o BPI "votou desfavoravelmente" o relatório, os processos seguem para "liquidação imediata" dos ativos, afirmaram as fontes.

Contudo, como o que está em causa é a venda de "três grandes herdades, com perto de dois mil hectares", a liquidação "não será tão imediata quanto isso".

"É relativo porque vender três herdades desta dimensão não é coisa para amanhã. Envolve uma difícil colocação no mercado, sobretudo nos tempos que correm, e deve demorar meses até que se encontre alguém que as compre", alertaram as fontes.

Por isso, segundo fontes contactadas pela Lusa, as deliberações das assembleias de credores "não ditam a morte" do projeto, pois, se surgir um investidor interessado no complexo turístico, é possível voltar atrás na liquidação.

"Se antes da venda da massa aparecer um investidor interessado em comprar o projeto como um todo, ou seja, não só o terreno, como também os projetos de arquitetura e outros, que é onde está gasto o dinheiro, os credores ainda podem deliberar pela recuperação, embora tal dependa sempre do BPI", revelaram.

No total, as dívidas das empresas da SAIP rondam os "23 milhões de euros", pois, aos 15 milhões do BPI, juntam-se "perto de um milhão" no conjunto dos outros credores e "sete milhões de verbas comunitárias, embora estas ainda não estejam exigíveis".

O Roncão d'El Rei, num investimento avaliado em quase mil milhões de euros, a concretizar em várias décadas, é o único do setor turístico classificado pelo atual Governo como Projeto de Interesse Estratégico Nacional.

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