""Boom" que tivemos foi muito na investigação"

Entrevista a Virgílio Meira Soares, Presidente da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior.

Nos anos 1980, 10% dos jovens chegavam ao superior. Atualmente esse valor já está acima dos 50%. Foi uma revolução?

As qualificações aumentaram sem dúvida alguma. Houve acesso de jovens que anteriormente não teriam. Até certa altura não foi nas melhores condições, porque se atendeu mais à quantidade do que à qualidade. Houve alturas em que o acesso foi facilitado, em instituições que não tinham a qualidade necessária. Mas em média, sem dúvida que houve uma melhoria significativa.

Ainda assim, 65% dos adultos dos 25 aos 64 anos não têm um diploma. Portugal está entre os cinco piores da OCDE neste indicador. É um sinal de que o esforço não pode ser abrandado?

Um valor absoluto, só por si, não significa nada. O que significa é a tendência. Se ela é crescente, estamos no bom caminho. Se é decrescente, há que perceber porquê. Qualquer valor pode ser bom ou mau dependendo da tendência e do ponto de partida.

O ensino superior não tem escapado aos cortes. Em que medida irão estes prejudicar a melhoria destes indicadores?

Ninguém nega, nem o próprio Governo, que necessariamente vai haver consequências. Se [ o corte] se centrar mais na investigação é claro que vamos cair. Este boom que tivemos foi muito na investigação. Ainda agora lia uma notícia de uma empresa farmacêutica alemã que veio para Portugal. Espero que isto se preserve.

O desemprego de diplomados cresce abaixo da média mas há quem diga ser escusado tirar o curso. Um discurso perigoso?

Houve sempre um discurso perigoso. Nós formamos X engenheiros por ano. É evidente que numa situação como aquela em que estamos, ou mesmo antes, não havia emprego para tantos engenheiros. Os únicos que ainda têm certezas são os médicos. Mas devemos olhar para o aumento das qualificações em geral como um aumento da cultura e das formações no nosso país.

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