BIC vai absorver 900 trabalhadores do ex-BPN

O BIC vai absorver cerca de 900 dos ex-trabalhadores do BPN, enquanto os restantes 300 serão despedidos por extinção do posto de trabalho, de acordo com os dados avançados pelo presidente do banco luso-angolano, Mira Amaral.

"Só posso dizer que vamos ficar com mais do que os 750 [trabalhadores] estimados (...) e que talvez o número de 900 não ande longe da verdade", disse Mira Amaral à agência Lusa, na primeira entrevista após a fusão jurídica entre o BIC e o BPN, que ocorreu na sexta-feira passada.

O BIC comprou em março o BPN por 40 milhões de euros. De acordo com o contrato assinado com o Estado, o banco de capitais luso-angolano comprometeu-se a ficar no mínimo com 750 trabalhadores dos cerca dos 1.200 que herdou do BPN e a manter pelo menos 160 dos 220 balcões e centros de empresa. O processo terá de estar fechado até final do ano.

No entanto, disse, os acionistas do BIC (dos quais os principais são Américo Amorim, Isabel dos Santos e Fernando Teles, presidente do BIC Angola e 'chairman' do BIC Portugal) serão "moderados" nos fechos de agências e, por consequência, no despedimento de trabalhadores. Os colaboradores que saírem serão os das unidades que fecharem por extinção do posto de trabalho.

"Algumas [agências], por mais boa vontade [que tenhamos], não têm volume de negócios e expectativas de futuro que as permita manter. As que vamos fechar são inevitáveis", garantiu Mira Amaral.

O presidente do BIC disse ainda que a possibilidade que o Estado lhe deu de analisar até final do ano as agências com que poderiam ficar foi melhor para os trabalhadores do que se o BIC fosse obrigado a tomar essa decisão logo em março, quando comprou a instituição bancária nacionalizada em 2008.

"Se tivéssemos de decidir à partida [com que agências ficávamos] teríamos jogado à defesa e fechado mais. A proposta foi favorável tanto para trabalhadores como para o Governo, que paga menos despedimentos do que teria de pagar se fosse em abril", considerou.

As compensações com os trabalhadores despedidos serão asseguradas pelo Estado, como ficou acordado com o BIC, o que vai agravar os encargos com a nacionalização do BPN.

De acordo com o relatório final da comissão parlamentar de inquérito ao BPN, este ano, o Estado tem orçamentado 265 milhões de euros para responsabilidades contingentes previstas, em que se inserem as indemnizações com pessoal que possa ser dispensado.

Além dos trabalhadores do BPN no BIC, o Estado terá ainda encargos com a maior parte dos ex-funcionários do BPN que estão na Parvalorem, a sociedade veículo que absorveu grande parte das imparidades do BPN, após a nacionalização em novembro de 2008.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG