Berardo confiante na justiça após juiz declarar nulas as provas que apresentou

O investidor Joe Berardo manifestou-se hoje confiante "na justiça portuguesa" depois de o juiz ter declarado nulas as provas que apresentou na acção do Banco de Portugal contra seis administradores do BCP.

"Confio plenamente na justiça portuguesa. Toda a gente sabe que o Banco de Portugal já recorreu. Aquilo é um caso muito estranho", disse à agência Lusa.

Berardo recordou que "situações semelhantes" (decisão de um juiz) acabaram por ter um desfecho diferente após recurso para outras instâncias. "É preciso não esquecer que eles (ex-administradores) têm influência substancial ao nível político e religioso", declarou.

Considera, no entanto, que com o decorrer do processo haverá uma inversão na decisão anunciada na sexta-feira pelo juiz António da Hora relativamente às provas que apresentou neste processo.

"O que está aqui em causa não é o crime, é a informação que alguém mandou para mim, diversas pessoas enviaram informação para mim e eu, como cidadão, transmiti isso ao Banco de Portugal, à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários e à Procuradoria Geral da República", declarou.

"Fiz o que um cidadão deve fazer. E não deve temer o poder dessas pessoas. Eles estão a tentar fugir à responsabilidade", reiterou.

A nulidade das provas deveu-se violação do sigilo bancário, de acordo com a informação transmitida na sexta-feira. O advogado do ex-administrador do BCP António Rodrigues (Rogério Alves), classificou de "notável" a decisão do juiz, considerando que a "justiça foi feita".

Também o advogado Magalhães e Silva, representante do ex-presidente do BPC Jorge Jardim Gonçalves apelidou a decisão de "corajosa".

O ex-administrador do BCP Christopher Beck ficou igualmente satisfeito, considerando uma "boa decisão" a nulidade das provas apresentadas pelo accionista Joe Berardo no julgamento das sanções e coimas pelo Banco de Portugal a seis ex-administradores do banco.

O processo resulta do recurso destes seis elementos e um diretor do BCP, condenados a pagar pelo Banco de Portugal coimas entre 230.000 euros e um milhão de euros e a inibição de actividade entre três e nove meses.

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