Atualidade política vai marcar congresso da UGT

O secretário-geral da UGT prevê que a atualidade política e económica vá marcar o XII Congresso da central, que definirá a sua postura futura, que poderá continuar a ser de diálogo ou passar a ser de luta.

"O congresso surge num momento de especial dificuldade, com o agravamento da crise, o aumento do desemprego e o Governo a subir a parada com medidas de austeridade, a pôr em causa o Estado Social e o funcionamento da Administração Pública", disse João Proença em entrevista à agência Lusa.

De acordo com o sindicalista, quando o congresso da UGT foi marcado, para 20 e 21 de abril, não se previa que se realizasse numa conjuntura tão adversa.

"No congresso vai ter de se refletir sobre saídas para a crise e definir qual o papel da central sindical e se o diálogo social vale a pena", disse.

Segundo João Proença, a UGT continua aberta ao diálogo e à negociação, mas não está disponível "para discutir medidas de ultra-austeridade, desligadas da preocupação com o desemprego, com a situação social dos portugueses e com o Estado Social".

"A proposição e a ação são valores fundamentais da UGT, mas só há compromisso se houver parceiros para esse compromisso, senão a UGT terá de assumir a luta pela luta", disse.

Proença acusou o Governo de estar a aproveitar o momento de crise para aplicar políticas ainda mais restritivas.

"O Governo aproveitou a ocasião para ressuscitar o corte de 4.000 milhões de euros nas áreas sociais", disse.

Para o sindicalista a UGT pode ter, nesta conjuntura de crise, um importante papel de diálogo social, na procura de soluções para os problemas do país, "mas tudo depende do Governo".

"O atual momento exige mudança de políticas e a UGT também terá de mudar de atitude se o Governo não mudar de políticas", afirmou.

O facto de a central sindical ser composta pela tendência sindical socialista e pela tendência sindical social-democrata não dificultará qualquer decisão porque, segundo Proença, as diferenças políticas não têm criados divisões na UGT, cujo projeto sindical será reforçado no congresso.

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