ANÁLISE: Um túnel comprido e curvo

As previsões intercalares da Comissão Europeia mostram que a Europa está agora a bater no fundo e que Portugal poderá continuar a afundar-se mais dois trimestres.

Nas previsões económicas feitas em tempos difíceis, um dos interesses centrais é o de tentar perceber onde estará a luz no fundo do túnel. A Comissão Europeia divulgou hoje as suas previsões intercalares (entre as de Outono e Primavera) e, numa primeira análise, os números parecem indicar que a Europa está neste momento a bater no fundo e que a recuperação económica começa a ser visível já na segunda metade do ano. Portugal, cujas dificuldades são mais acentuadas, também começará a abrandar a queda no segundo semestre, mas abaixo da linha de água quase até ao Natal. O último trimestre de 2012 será apenas ligeiramente negativo, talvez a indicar que, para nós, a luz no fundo do túnel será visível já no início de 2013.

Na realidade, os números divulgados pela comissão são mais sombrios do que as previsões de Outono de 2011. Há uma revisão em baixa de quase todas as economias da UE e da zona euro. Pior ainda é o facto de haver uma crescente divergência na Europa, com países a cairem acentuadamente e outros a passarem entre as gotas da chuva.

A economia alemã está a abrandar, após dois anos de invulgar expansão económica. Mas a desaceleração do último trimestre do ano passado foi mais grave do que se supunha e no atual trimestre também se anda mais devagar. Em resultado, onde se previa para 2012 crescimento do PIB de 0,8%, agora o indicador mostra 0,6%. Apesar de tudo, ainda valor positivo.

Em conjunto, a zona euro estará em "recessão moderada" e a UE em estagnação. Grécia, Itália e Espanha são os países que sofreram revisões em baixa mais acentuadas, o país vizinho devido à incorporação de medidas de austeridade entretanto decididas, a economia grega devido a queda mais forte do que esperado na procura interna e acesso ao crédito bancário.

Portugal é um dos países que sofreu revisão em baixa, mas apenas umas décimas. A contração económica que se esperava de 3,0% será mais grave, de 3,3%, com aumento de desemprego e queda do consumo e poupança.

Não há só más notícias na revisão dos números da Comissão Europeia: a Irlanda, o terceiro país em resgate internacional, já terá este ano um crescimento moderado e balança corrente positiva.Bruxelas também considera que os mercados financeiros continuam "vulneráveis", mas "mostram sinais de estabilização". Na zona euro, a recessão moderada não deverá prolongar-se para além do segundo trimestre de 2012. Aparentemente, o túnel da crise europeia é escuro mas também terá forma curva, pelo que a luz só se verá mesmo um pouco antes de chegarmos à superfície.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG