Alemanha nega acordo para reforço do fundo de resgate

O ministério das finanças alemão desmentiu hoje um eventual acordo entre Berlim e Paris sobre o reforço do fundo de resgate europeu (FEEF) de 440 mil milhões de euros para um bilião de euros (um milhão de milhões), avançado pela imprensa germânica.

Segundo Martin Kotthaus, porta-voz do ministro das finanças germânico, Wolfgang Schäuble, "estão a decorrer conversações extremamente intensas, ainda não concluídas" entre responsáveis europeus "para aumentar a eficiência" do EFSF, mas a soma limite das garantias a dar pelo conjunto dos países da zona euro são os actuais 440 mil milhões de euros.

"O limite definido são as garantias que já existem, mas estamos a ver a forma de aplicar esta soma da forma mais eficiente possível", adiantou ainda Kotthaus, no habitual briefing com jornalistas em Berlim.

O mesmo responsável recusou-se ainda a comentar eventuais modelos de utilização do FEEF para permitir aumentar o seu volume para um bilião de euros, ou mesmo para o dobro desta soma, como referia o jornal britânico Guardian, através da chamada alavancagem das garantias disponíveis.

Trata-se de um mecanismo que consiste na concessão de garantias parciais a quem comprar títulos da dívida pública de países da moeda única em dificuldades financeiras, até uma determinada percentagem, de 20 ou 30 por cento, por exemplo, sendo o restante risco suportado pelo investidor.

O matutino alemão Financial Times Deutschland noticiou hoje que Schäuble terá falado de um reforço do FEEF para um bilião de euros, através deste sistema, em reuniões para informar deputados da coligação governamental sobre as perspectivas para as cimeiras da União Europeia e da zona euro no próximo domingo, em Bruxelas.

Há algum tempo que correm rumores de que o volume do FEEF terá de ser aumentado para suportar eventuais ajudas à Itália ou à Espanha, a terceira e a quarta economia da zona euro, respectivamente, caso estes países entrem em risco de incumprimento.

Até agora, os países a recorrer a este Fundo foram a Irlanda, que obteve um empréstimo de 85 mil milhões de euros, e Portugal, que receberá 78 mil milhões de euros até 2013.

Está também em preparação um novo resgate à Grécia da ordem dos 109 mil milhões de euros, a somar aos 110 mil milhões do ano passado.

Através da transformação do FEEF num seguro, segundo o modelo descrito pelo Financial Times Deutschland, não seria necessário, praticamente, aumentar o seu volume actual, ou seja, a Alemanha não precisaria de dar garantias superiores aos actuais 211 mil milhões de euros.

Trata-se de um modelo baseado na reserva federal dos Estados Unidos que, em 2008, após o início da crise económica e financeira internacional, implementou um programa de empréstimos de 200 mil milhões de dólares, efectivamente suportados por 20 mil milhões de dólares do tesouro norte-americano.

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