Ações da PT caem mais de 16% um dia depois das buscas

Na sequência das buscas realizadas na sede da empresa, em Lisboa, as ações da PT SGPS caíram 16% na bolsa.

As ações da PT SGPS seguiam hoje a perder mais de 16% na bolsa, um dia depois de ter sido alvo de buscas na sede e a cinco dias da Assembleia-Geral que vai decidir a venda da PT Portugal.

Cerca das 12:00, os títulos da Portugal Telecom SGPS (PT SGPS) recuavam 16,52% para 0,677 euros, liderando as perdas da sessão.

O PSI20 valorizava 0,12% para 4.645,62 pontos, com 12 títulos em terreno positivo e seis a desvalorizarem-se.

Na terça-feira à noite, a PT manifestou "a total e absoluta disponibilidade" para colaborar com a justiça, na sequência das buscas realizadas pelas autoridades na sede da empresa, em Lisboa.

"A PT SGPS, SA reitera a sua total e absoluta disponibilidade para colaborar com as autoridades competentes, no propósito de assim contribuir para o cabal esclarecimento dos factos sob investigação", disse a PT SGPS, em comunicado.

Esclareceu que interveio "exclusivamente na qualidade de buscada", acrescentando que, "como sempre faz", prestou "toda a colaboração às autoridades judiciárias que conduzem o inquérito e aos órgãos de polícia criminal que as coadjuvam, bem assim como à Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários" (CMVM).

A Procuradoria-Geral da República (PGR) tinha confirmado as buscas na sede da PT SGPS e na consultora PriceWaterHouseCoopers (PwC).

Na base destas buscas estará o investimento realizado em abril pela PT SGPS em papel comercial da Rioforte, 'holding' do Grupo Espírito Santo (GES), que deixou um 'buraco' de 847 milhões de euros na empresa portuguesa, depois de não ter sido reembolsada em julho conforme o estipulado, e mudou o rumo previsto no acordo inicial da fusão com a Oi.

Em causa está ainda o relatório da auditoria da PwC sobre os empréstimos de tesouraria efetuados pela PT SGPS a empresas do GES, nomeadamente o investimento na Rioforte, o qual ainda não foi entregue na CMVM.

A PGR informou que as buscas à PT SGPS inserem-se numa investigação sobre suspeitas de participação económica em negócio e burla qualificada, investigando-se aplicações financeiras realizadas pela empresa.

Nestas diligências, segundo a PGR, o Ministério Público é coadjuvado pela CMVM, Polícia Judiciária e Autoridade Tributária.

O inquérito, que está em segredo de justiça, decorre no Departamento Central de Investigação e Ação Penal, estrutura do MP que investiga a criminalidade organizada mais grave e sofisticada.

A forte queda do preços das ações da PT SGPS, que detém a dívida de quase 900 milhões de euros da Rioforte, do GES, e uma participação na brasileira Oi, acontece em vésperas da reunião magna de acionistas, convocada para 12 de janeiro.

Esta Assembleia-Geral visa aprovar, ou não, a venda da PT Portugal (que tem a Meo, Sapo, entre outros) ao grupo francês Altice, ativos que estão nas mãos da Oi desde maio do ano passado.

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