Cobra de 1,70 metros encontrada em caixa abandonada

Magra e debilitada, a pitão albina está agora em recuperação num parque zoológico na zona de Lavre, concelho de Montemor-o-Novo.

O "Público" leva-nos a imaginar o susto: abrir uma caixa abandonada numa zona urbana e encontrar lá dentro um cobre com quase dois metros, das que se enrolam á sua presa. Foi o que aconteceu domingo a um grupo de desportistas que praticava paint ball em Alcabideche, concelho de Cascais.

Uma caixa de plástico junto às instalações abandonadas de uma antiga fábrica de meias chamou-lhes a atenção. Quando um dos elementos do grupo se aproximou do recipiente, lá estava uma enorme pitão albina. "A pessoa deu um valente salto para trás", contou o sargento Marco Robalo, do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (Sepna) da GNR, depois de alertado pela Linha SOS Ambiente.

Ninguém sabe como a cobre foi lá parar. A pitão albina é uma variante da pitão-de-Burma, originária do Sul e Sudeste asiáticos. Criada também em cativeiro, não é bicho que se veja por aí, confinada. Mas não é um animal fácil de criar e manter, sobretudo quando atinge a sua dimensão adulta. A pitão de Alcabideche tem 1,70 metros de comprimento e cerca de 15 a 20 quilos de peso, segundo o sargento Robalo.

Abandonada, poderia ter-se escapado, provavelmente semeando mais sustos por onde passasse - apesar de não ser venenosa. "Foi uma atitude inconsciente a de quem pôs o animal naquela caixa", lamenta o militar da GNR. A cobra foi recolhida e entregue anteontem ao Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB). No mesmo dia, o ICNB contactou o Monte Selvagem, um parque zoológico em Lavre, Alentejo, onde vivem 300 animais, de 70 espécies diferentes, para acolher a cobra.

Colocada num espaço próximo de onde está outra cobre da mesma espécie, a pitão da Alcabideche está agora em recuperação. "Não estava em boas condições, esta magra, debilitada", afirma Ana Paula Santos, directora do Monte Selvagem. O parque zoológico acolhe animais abandonados ou confiscados em Portugal.

Centenas de animais são comercializados ilegalmente e apreendidos todos os anos em Portugal - de 577 (em 2003) a 318 (2008). Muitos são identificados pelo Sepna em lojas ou feiras. Serpentes não são invulgares, mas o que aparece são espécies autóctones, como a cobra-rateira. Uma pitão como a de Alcabideche já é outra história. "É muito incomum", conclui o sargento Robalo.

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