Ajuda a Portugal e Grécia foi pensada para salvar bancos

Para Philippe Legrain, a tentativa de salvar a banca alemã e francesa provocou a crise do euro. O ex-conselheiro afirma em entrevista que em Portugal, a troika não agiu no interesse europeu, mas no interesse dos credores de Portugal.

O "Público" escreve hoje que "Philippe Legrain, conselheiro económico independente de Durão Barroso até fevereiro deste ano, diz em entrevista que as ajudas a Portugal e à Grécia foram pensadas para resgatar os bancos franceses e alemães. "O sector bancário dominou os Governos dos países e as instituições da zona euro", por isso, diz, "quando a crise financeira rebentou, foram todos a correr salvar os bancos, sobretudo franceses e alemães, com condições muito severas para as finanças públicas", diz Legrain, considerando que "foi isso que provocou a crise do euro".

Segundo o ex-conselheiro, "a decisão de emprestar dinheiro a uma Grécia insolvente transformou de repente os maus empréstimos privados dos bancos em obrigações entre Governos". Ou seja, diz, "o que começou por ser uma crise bancária que deveria ter unido a Europa nos esforços para limitar os bancos, acabou por se transformar numa crise da dívida que dividiu a Europa entre países credores e países devedores. E em que as instituições europeias funcionaram como instrumentos para os credores imporem a sua vontade aos devedores. Aconteceu em Portugal: a troika (de credores da zona euro e FMI) que desempenhou um papel quase colonial e sem qualquer controlo democrático, não agiu no interesse europeu, mas no interesse dos credores de Portugal. E, pior que tudo, impondo as políticas erradas. isto porque, em vez de enfrentar os problemas do sector bancário, a Europa entrou numa corrida à austeridade".

Para Legrain, "as pessoas elogiam o sucesso do programa português, mas basta olhar para as previsões iniciais para a dívida pública e para a situação atual para se perceber que não é, de modo algum, um programa bem sucedido, Portugal está bem pior do que antes do programa, e a dívida privada não caiu", diz.

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