"Tanto me faz que uma pessoa do Opus seja presidente da AR ou mulher de limpeza"

José Rafael Espírito Santo O líder do Opus Dei recebeu o DN com simpatia e avançou sem reservas para a entrevista depois de se inteirar num pequeno 'briefing' sobre o trabalho. Apesar de o gabinete só ter garantido meia hora de entrevista, ao fim de 60 minutos a conversa continuava a fluir. O vigário não fugiu às questões, largou sorrisos relativamente à procura de "poder" e os seus olhos brilharam quando se falou de música.

Enquanto vigário regional sente-se o líder de uma organização elitista e que procura o poder?

(Risos) Estou a dirigir uma instituição em Portugal que pretende servir a Igreja e a sociedade de acordo com a missão da Igreja. Por vezes não se compreende bem o que é o Opus Dei por desconhecimento, por se repetir uma série de lugares-comuns que as pessoas ouvem e não procuram aprofundar. A finalidade do Opus Dei é ajudar as pessoas a aprofundar a amizade com Deus. Isto escapa a qualquer análise sociológica.

É atribuída à obra uma rede de influências, chamam-lhe até a "maçonaria da Igreja". O Opus Dei nunca tentou exercer qualquer tipo de poder?

Não. Isso vai contra aquilo que se pretende: que cada pessoa atue de acordo com a sua responsabilidade, tomando consciência da sua dignidade de filho de Deus e que seja consequente. E, portanto, não há nada de secretismo, nem de coisas que sejam influir para obtermos um resultado. Há um apelo à liberdade de cada um. Nas coisas opináveis, como dizia S. Josemaría, só estamos de acordo em não estar de acordo.

O facto de ter como membros dois ex-presidentes da AR, ex-ministros e banqueiros como Jardim Gonçalves ou Câmara Pestana, não ajuda a criar a ideia de procura de poder?

Isso é estar a aplicar determinados esquemas preconcebidos a uma realidade diferente. As pessoas que referiu agem com a sua liberdade e iniciativa e o Opus Dei não interfere em nada em relação às suas atividades. Portanto, não há nenhuma estratégia de poder. Tanto me faz que uma pessoa do Opus Dei seja presidente da Assembleia da República (AR) ou seja mulher de limpeza da AR.

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