"Se em 1980 PS fosse como hoje, Sá Carneiro era PS"

Garante que os partidos não têm lugar para livres pensadores. Foi militante do 'velho' PSD e acreditou no que os amigos lhe diziam - mal - do novo líder, Passos Coelho. Hoje, nenhuma dessas realidades se mantém.

"É evidente que um político nos primeiros meses não está aberto e é como os melões - é preciso ver depois. Mas, até ver, diria que os sinais são melhores do que diziam esses meus amigos. Ainda é muito cedo para fazer juízos", admite acerca do primeiro-ministro.

José Miguel Júdice desfiliou-se do PSD em 2006, mas garante que não se desencantou da vida política. "Acho que nunca fui um encantado da política. Fui, sim, um apaixonado pela vida política e sempre tive a cautela de não cometer o erro de transformar a paixão numa actividade profissional", diz o advogado que admite, isso sim, que se desencantou do sistema partidário.

"Entrei para o PSD por causa de Sá Carneiro, mas nunca quis ter carreira política ou cargos políticos. E os partidos não têm lugar para os cidadãos, para aqueles que apenas querem entregar em vez de receber em troca. Os partidos não têm lugar para as cabeças muito independentes", defende, convicto de que "o PSD se transformou numa espécie de albergue espanhol, como todos os partidos".

E Sá carneiro tem alguma coisa a ver com essa ideologia de agora? "Tem e não tem. Todos eles são filhos e netos de Sá Carneiro. Como nas famílias - nem sempre os filhos correspondem ao que os pais gostavam -, há evoluções naturais, e mesmo Sá Carneiro não seria igual ao que era há 30 anos. Há uns anos, fiz uma provocação: se o PS em 80 fosse o que é hoje, muito provavelmente Sá Carneiro era PS e não haveria PSD. Hoje em dia, o PSD e o PS não se distinguem a não ser em nuances. Eu vi o PSD atacar pela esquerda José Sócrates. Que ideologia é esta? Não me parece que haja ideologia, a não ser no PCP e no CDS", responde.

Leia a entrevista na íntegra no e-paper do DN.

31 entrevistas em Agosto é uma rubrica do "Made in Portugal": durante os 31 dias deste mês de Agosto o DN publicará 31 entrevistas a figuras portuguesas, que falarão do País que temos e daquele que queremos. Todas as entrevistas serão conduzidas pelo jornalista João Céu e Silva. AMANHÃ: Fátima Lopes

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