Juiz do caso Carlos Castro começa a "perder a paciência"

O juiz do caso Carlos Castro manifestou-se hoje "irritado" com a lentidão da Procuradoria de Nova Iorque em partilhar provas científicas com a defesa de Renato Seabra, acusado do homicídio do colunista, e prometeu acelerar as audiências.

"A este ritmo, vamos ter julgamento em Janeiro de 2013! Não estou contente com esta situação", queixou-se o juiz Charles Solomon à procuradora Maxine Rosenthal, na sessão de hoje no Tribunal Superior de Nova Iorque.

Depois do advogado de defesa, David Touger, se ter queixado da falta de cooperação da procuradora na entrega de informação, e de uma discussão exaltada entre os causídicos na sala de audiências, o juiz sublinhou que o defensor tem direito a essa informação.

Rosenthal apresentou desculpas, justificou-se com a falta de tempo para rever esses mesmos elementos e com o facto de alguma informação estar ainda incompleta. Prometeu também dar "maior enfoque" ao caso, mas tal não foi suficiente para o juiz.

"Estou irritado com isto. Um mês para ler cinco páginas [de um relatório clínico] e ainda não leu? Nem explicou por que não quer entregar?", criticou o juiz Solomon.

Solomon sublinhou que o homicídio ocorreu em Janeiro, teve grande cobertura mediática e é um crime grave, pelo que não se percebe de que se está à espera.

"Neste caso, é tudo como arrancar dentes. Cada assunto é uma luta. Não estamos a chegar a tempo a nenhum lado. Começo a perder a minha paciência", afirmou.

O juiz deixou mesmo o aviso que, se o caso não andar mais rápido, irá convocar audiências todas as semanas. "Vamos ter de ouvir este caso com maior frequência do que eu queria", disse.

O juiz tentou agendar nova sessão já para a próxima semana, mas por incompatibilidade de agendas o caso será ouvido apenas a 28 de Outubro.

Para dia 18 está marcada a continuação da avaliação psiquiátrica de Renato Seabra que a procuradoria pediu. Esta deverá contrariar uma outra apresentada pela defesa, que sustenta o argumento de que o jovem português sofria de "doença ou debilidade mental" quando cometeu o crime, e que poderá conduzir a uma sentença mais ligeira.

Após a audiência, Touger afirmou que o objectivo é agora que o julgamento aconteça apenas no início de 2012.

Se dentro da sala se mostrou exasperado com os argumentos da procuradoria sobre a demora na entrega de documentação, abanando a cabeça vigorosamente e passando a mão pelo rosto, à saída não quis comentar a lentidão "para não irritar a procuradora ainda mais".

A Procuradoria "filmou a sessão do psicólogo com Seabra, queremos cópia disso e ela não quer dar até à conclusão da próxima sessão e o relatório [psiquiátrico] ser entregue. É a prerrogativa dela", afirmou.

"Por lei [Rosenthal] tem de nos dar todos os relatórios científicos que receber, e obviamente tem todas as provas de DNA analisadas", adiantou Touger.

Usando um fato cinzento, cabelo curto e barbeado, Seabra compareceu na audiência de hoje, juntamente com a mãe, Odília Pereirinha.

Por decisão do departamento penal de Nova Iorque, mantém-se detido na prisão de Rikers Island, partilhando um dormitório com outros reclusos.

"Espero que aguente. Está a viver sob muita pressão. Ele tem 20 anos", disse Touger.

Seabra está acusado de homicídio em segundo grau pela procuradoria de Nova Iorque.

O caso remonta a 07 de Janeiro, quando Carlos Castro, de 65 anos, foi encontrado nu e com sinais de agressões violentas e mutilação nos órgãos genitais no quarto de hotel que partilharam em Manhattan.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG