Marca do pontificado de Bento XVI passou por conciliar fé e razão

A "riqueza" do pontificado de Bento XVI passou por conciliar fé e razão, disse à agência Lusa o presidente da Cáritas Portuguesa, um dos 9.000 participantes da pastoral social que se reuniram com o papa em 2010, em Fátima.

"O papa trouxe-nos aquilo que muitas vezes até os próprios crentes têm dificuldade em conciliar, que é a fé com a razão", sustentou Eugénio Fonseca.

O presidente de uma das mais importantes instituições portuguesas de ação social de inspiração católica sublinhou que "este papa procurou sempre, porque era de uma inteligência raríssima, despertar a Igreja para este facto: Deus não está desligado da História e a fé não contradiz em nada a inteligência humana".

O responsável expressou a sua convicção de que "esta foi mais uma riqueza do pontificado" que, contudo, fica marcado "pelo grande sofrimento" que contribuiu para o levar à renúncia.

"Bento XVI, para chegar a esta decisão, deve ter sofrido imenso" e terá sido "mais doloroso" porque se tratou de "um sofrimento espiritual por todas as maleitas que a Igreja tem", argumentou.

Na opinião de Eugénio Fonseca, a mudança que se exige na Igreja não se resolve com a eleição do novo papa.

"Se nós, membros da Igreja, não mudarmos a nossa postura, dificilmente qualquer papa, seja ele qual for, conseguirá purificar a Igreja daqueles que são os seus pecados", justificou.

"Como eu, muitos olharam de soslaio para a eleição de Bento XVI", mas a verdade, salientou Eugénio Fonseca, é que "foi um pontificado que surpreendeu" e no qual se verificou "muita presença do espírito santo".

Para o presidente da Cáritas, "a surpresa foi que, sendo uma pessoa muito ligada às questões dogmáticas da Igreja, ele começa o seu pontificado, não por falar de questões disciplinares, de questões de dogmas, mas por falar de amor".

Esse sinal positivo e que "marca decisivamente o pontificado de Bento XVI", surgiu desde logo "com a publicação da sua primeira encíclica que versa sobre a temática do amor", numa perspetiva de fé e caridade, mas "situando-o nas raízes humanas".

Eugénio Fonseca recordou que a visita a Portugal em 2010, mostrou um papa, "num momento difícil" do seu pontificado, "mais aberto, mais alegre e ao encontro das pessoas", tendo sido marcada por uma declaração realizada ainda antes de aterrar em solo nacional.

"Costumo dizer que bem perto do céu, nos ares, ainda no avião, o papa transformou a sua viagem quando disse aos jornalistas que os piores adversários da Igreja estavam dentro dela", uma declaração que o presidente da Cáritas definiu como sendo "de uma coragem e humildade muito grandes".

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